STJ: registro de indiciamento deve ser cancelado quando as provas que o sustentam são declaradas nulas

STJ: registro de indiciamento deve ser cancelado quando as provas que o sustentam são declaradas nulas

A Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça fixou, por maioria, um entendimento com impacto direto na vida de investigados: se as provas que embasaram o indiciamento forem declaradas nulas pelo Judiciário, o registro desse indiciamento não pode ser mantido nos sistemas policiais e de controle. Para o Tribunal, não há sentido em conservar um ato estatal que perdeu seu fundamento jurídico.

O voto vencedor, apresentado pelo ministro Antonio Carlos Ferreira, explicou que o indiciamento não é um gesto livre da autoridade policial. Pelo contrário: exige provas mínimas válidas de autoria e materialidade, conforme determina a Lei 12.830/2013. Se essas provas desaparecem — como no caso analisado, em que o Judiciário anulou toda a colheita probatória e mandou trancar os inquéritos — o indiciamento se torna automaticamente ilegal, porque não há mais base jurídica que o sustente.

Ferreira lembrou ainda que o simples fato de alguém constar como “indiciado” gera um constrangimento permanente. O registro fica na folha de antecedentes e pode produzir efeitos mesmo quando o inquérito já foi arquivado. Manter o indiciamento após a anulação das provas, segundo o ministro, cria uma distorção entre a realidade dos fatos e a situação jurídica registrada — distorção que o Estado tem o dever de corrigir.

A decisão não se confunde com casos de extinção da punibilidade ou absolvição, situações em que o STJ costuma admitir a permanência do registro. A diferença, explica o Tribunal, é que nesses casos o indiciamento foi sustentado por indícios válidos; no julgamento de agora, todo o suporte probatório havia sido declarado nulo, tornando o ato de indiciar sem qualquer lastro mínimo. O número do processo não foi divulgado em razão de segredo de justiça.

Leia mais

Sem apreensão da droga conversas sobre tráfico e movimentações milionárias não bastam para condenar

Entre os elementos reunidos na investigação estavam conversas extraídas de aparelhos celulares que faziam referência ao envio de dinheiro para Manaus por meio de...

Servidor que atingiu idade mínima prevista em regra de transição tem direito à aposentadoria integral

Servidor público que alcançou a idade mínima e os demais requisitos previstos em regra de transição antes da Reforma da Previdência mantém o direito...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Sem apreensão da droga conversas sobre tráfico e movimentações milionárias não bastam para condenar

Entre os elementos reunidos na investigação estavam conversas extraídas de aparelhos celulares que faziam referência ao envio de dinheiro...

Servidor que atingiu idade mínima prevista em regra de transição tem direito à aposentadoria integral

Servidor público que alcançou a idade mínima e os demais requisitos previstos em regra de transição antes da Reforma...

Justiça manda banco recalcular dívida de cheque especial por juros acima do contrato

Perícia judicial identificou cobranças superiores à taxa pactuada; Caixa também terá de excluir do débito uma diferença cuja origem...

Justiça confirma internação compulsória de paciente com dependência alcoólica

A 5ª Turma Cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) manteve sentença que determinou...