Justiça manda retirar dívida de credit scoring por reconhecer inscrição indevida

Justiça manda retirar dívida de credit scoring por reconhecer inscrição indevida

Provado que a dívida prescrita foi indevidamente incluída na plataforma de ‘credit scoring‘ a pedido do pretenso credor, cabe atender ao pedido do consumidor para declarar  inexigível o débito  lançado em nome daquele que alegou desconhecer a origem do negócio que levou a essa inscrição, tendo, como efeito, a ordem para que o nome do autor seja retirado do registro de dados da empresa de cadastro digital. Mas, o ilícito não tem o efeito de gerar danos morais presumidos. 

Desta forma, o Desembargador Lafayette Carneiro, do TJAM, concluiu voto relator na Terceira Câmara Cível, com a edição de Acórdão seguido à unanimidade pelos demais Magistrados. O julgado atende a recurso do autor que teve seu nome incluso na plataforma digital Ativos. Na instância inferior o magistrado entendeu que se cuidava de mera cobrança de natureza administrativa, não se admitindo apenas a cobrança judicial, ante a prescrição da dívida, firmando pelo direito subjetivo da parte ré em reaver o crédito. O autor recorreu. 

Não existe divergência acerca do conteúdo de que a cobrança de dívida prescrita é negociável e que o sistema credit scoring praticado por plataformas digitais seja conduta regular. No caso concreto, no entanto, a empresa ré foi revel.  Se concluiu que deveria ser aplicado os efeitos da revelia – no caso, o de que a acusação do autor de que a cobrança existente no cadastro on line da empresa de dados era indevida e que a dívida era infundada, até porque o autor narrou desconhecer sua origem. 

Entretanto, o nome do autor não foi negativado, apenas esteve incluso no cadastro ‘credit scoring’, cuja prática é legal. Por não ter provado os efeitos negativos de que a inclusão resultou no desproveito de seu crédito pessoal, o julgado considerou inexistente os danos morais alegados pelo autor, pois “a inclusão do nome do consumidor em plataforma de cobrança para a negociação de débito, constitui-se em mero aborrecimento, sem maiores reflexos na seara extrapatrimonial da parte”, definiu o julgamento do recurso de apelação. 

Processo: 0735763-64.2022.8.04.0001

Apelação Cível / Indenização por Dano MaterialRelator(a): Lafayette Carneiro Vieira JúniorComarca: ManausÓrgão julgador: Terceira Câmara CívelData do julgamento: 17/01/2024Data de publicação: 17/01/2024Ementa: APELAÇÃO CÍVEL – DIREITO DO CONSUMIDOR – INEXIGIBILIDADE DE DÉBITO C/C DANOS MORAIS – DÍVIDA PRESCRITA, QUE NÃO IMPEDE A COBRANÇA PELO CREDOR – RÉ REVEL – PRESUNÇÃO DOS FATOS CONFORME ALEGADOS PELO AUTOR – DÉBITO QUE DEVE SER DECLARADO INEXIGÍVEL – EVIDENCIADA A DE FALHA NA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO, QUE NÃO ENSEJA DIREITO AUTOMÁTICO AOS DANOS MORAIS, QUE NÃO SE DÃO IN RE IPSA – INCLUSÃO EM PLATAFORMA DE “CREDIT SCORING”, A QUAL É ACESSADA APENAS PELO DEVEDOR, SEM PUBLICIZAÇÃO – INEXISTÊNCIA DE NEGATIVAÇÃO PERANTE OS ÓRGÃOS RESTRITIVOS DE CRÉDITO – MERO ABORRECIMENTO – RECURSO CONHECIDO E PARCIALMENTE PROVIDO. SENTENÇA REFORMADA EM PARTE. 

Leia mais

Sem prova de ilegalidade, Justiça não substitui avaliação de comissão de heteroidentificação

Segundo a decisão, o controle judicial é possível, mas não autoriza a substituição automática da avaliação administrativa. A Justiça Federal negou o pedido de liminar...

Análise de documentos não se confunde com dilação probatória para negar mandado de segurança

TRF1 suspende sentença que extinguiu ação sem julgamento do mérito ao entender que controvérsia pode ser resolvida com base em documentos já constantes dos...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Sem prova de ilegalidade, Justiça não substitui avaliação de comissão de heteroidentificação

Segundo a decisão, o controle judicial é possível, mas não autoriza a substituição automática da avaliação administrativa. A Justiça Federal...

Justiça mantém condenação de organização que aplicava golpes com venda fictícia de imóveis

O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) negou recursos apresentados pela defesa de integrantes de uma organização...

Nova lei fortalece medidas hospitalares de prevenção ao tromboembolismo

A Lei 15.448/26 determina que hospitais públicos e privados e demais unidades de saúde com serviços de internação mantenham...

Empresa é condenada por manter agente de crédito até 20h com a filha chorando de fome e cansaço

Uma agente de microcrédito da Camed Microcrédito e Serviços Ltda. deverá ser indenizada em R$ 10 mil após sofrer...