Caso Moïse Kabagambe: 1ª Vara Criminal da Capital continua oitiva das testemunhas de acusação

Caso Moïse Kabagambe: 1ª Vara Criminal da Capital continua oitiva das testemunhas de acusação

O juízo da 1ª Vara Criminal da Capital deu continuidade, na tarde desta sexta-feira (28/7), à oitiva das testemunhas de acusação do processo em que Brendon Alexander Luz da Silva, Aleson Cristiano de Oliveira Fonseca e Fábio Pirineus da Silva são acusados de matar o congolês Moïse Mugenyi Kabagambe em um quiosque, na Barra da Tijuca, em janeiro do ano passado.

Hoje foram ouvidas três testemunhas arroladas pelo Ministério Público do Rio. No encerramento da audiência, a juíza Alessandra da Rocha Lima Roidis designou o dia 15 de setembro, às 13h, para continuação das oitivas das testemunhas.

O primeiro a prestar depoimento foi Maicon Rodrigues Gomes que contou que trabalhava nos quiosques da praia como “free lancer” e que conheceu a vítima na semana dos fatos. Acrescentou que Moïse estaria há três dias ficando pela praia e consumindo bebida alcoólica e que chegou a oferecer dinheiro ao congolês para que ele fosse para casa descansar. A testemunha afirmou ainda que a vítima estava tentando pegar cerveja e que Jailton (o “Baixinho”) estava tomando conta do cooler e não permitia. Disse que “Belo” apareceu com um pedaço de madeira para agredir Möise e que, então, percebeu que a situação estaria saindo do controle e saiu para tentar chamar a polícia.

Em seguida, Jailton Pereira Campos (também conhecido como “Baixinho”) foi ouvido. Ele disse que é amigo dos acusados, que não conhecia Moïse e que trabalhava no Tropicália e estava tomando conta do quiosque no dia da morte do congolês. Lembrou ainda que era seu segundo dia de trabalho lá e que, embora o seu turno fosse diurno, estava “dobrando” o horário porque o outro funcionário, que deveria rendê-lo, não chegou.

Jailton confirmou suas declarações quando prestou depoimento em sede policial, relatando toda a dinâmica das agressões cometidas pelos acusados, que resultaram na morte de Moïse. Disse que Brendon foi o primeiro a abordar o Moïse, chegando a derrubá-lo e imobilizá-lo com um golpe conhecido como “mata-leão”. Em seguida, o Fábio chegou com um pedaço de madeira e começou a desferir vários golpes contra a vítima. Disse que o Aleson saiu de outro quiosque, pegou a madeira da mão de Fábio e também desferiu vários golpes contra Moïse. Revelou que a vítima foi amarrada com uma corda e que, ainda assim, o Brendon chegou a desferir vários chutes contra ela. Contou que os acusados só decidiram desamarrá-la, quando viram que Moïse já estava morto. Daí, resolveram chamar o Samu.

A terceira e última testemunha ouvida na audiência foi Luis Carlos Cortinovis Coelho, proprietário de uma barraca da praia, localizada atrás do quiosque Tropicália. Luis Carlos contou que tinha trabalhado na praia durante o dia, mas que saiu por volta das 19h, não presenciando o ocorrido. Disse que Brendon, um dos acusados, trabalhava com ele na barraca e que nunca havia se envolvido em qualquer confusão. Afirmou que conhecia o Moïse, por ele trabalhar como “free lancer” no quiosque, mas que sempre procurou se manter afastado dele, porque enquanto trabalhava, ele também bebia e se metia em confusão.

Luis Carlos disse que soube do crime após receber um telefonema do Fábio, um dos acusados e que, quando chegou, o corpo de Moïse já havia sido retirado do local. Revelou, ainda, que entrou em contato com os acusados Fábio e Brendon, tentando convencê-los a se entregarem. Disse que, informado por um familiar do Fábio, conseguiu localizar o taco de beisebol usado para agredir Moïse e que o recolheu e entregou na delegacia.

Processo nº: 00228256120228190001

Com informações do TJ-RJ

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