TSE utilizará precedentes para barrar candidaturas e cassar mandatos ligados ao crime organizado

TSE utilizará precedentes para barrar candidaturas e cassar mandatos ligados ao crime organizado

Os precedentes firmados, segundo a Corte Eleitoral, devem servir como base para uniformização de entendimentos em julgamentos futuros envolvendo a relação entre candidaturas e criminalidade organizada.

O Tribunal Superior Eleitoral tem adotado precedentes recentes para enfrentar a infiltração de facções criminosas e milícias no processo eleitoral, com foco tanto na fase de registro de candidaturas quanto na eventual cassação de mandatos.

De acordo com integrantes da Corte, decisões firmadas ao longo do último ano passaram a orientar julgamentos em série, consolidando entendimento de que a vinculação de candidatos a organizações criminosas pode configurar causa de inelegibilidade já no momento do registro.

Um dos casos paradigmáticos envolveu o indeferimento da candidatura de um vereador no município de Belford Roxo (RJ), mantido pelo TSE após decisão do tribunal regional. A Corte entendeu que a existência de condenação por participação em milícia, ainda que não confirmada por órgão colegiado, afasta a possibilidade de candidatura, diante do impacto na liberdade do voto e no ambiente democrático.

Em etapa posterior, o Tribunal também tem aplicado esses precedentes em ações de cassação de mandatos. Em julgamento recente relatado pelo ministro André Mendonça, foi mantida a cassação de uma chapa eleita no Ceará, sob fundamento de abuso de poder político e econômico, com base em provas de intimidação de eleitores e interferência direta de facção criminosa no processo eleitoral.

Segundo os julgados, a atuação de organizações criminosas em campanhas — seja por meio de financiamento, coação de eleitores ou eliminação de adversários — compromete a legitimidade do pleito, justificando a aplicação de sanções eleitorais.

A tendência, conforme relatos internos, é de manutenção dessa linha decisória durante a gestão do ministro Kassio Nunes Marques na presidência do TSE, com aplicação rigorosa dos precedentes em casos semelhantes.

Além do TSE, outros órgãos têm acompanhado o tema. Relatório da Agência Brasileira de Inteligência aponta riscos de interferência do crime organizado nas eleições de 2026, incluindo financiamento ilícito e coação de eleitores. Já o Conselho Nacional de Justiça lançou painel com dados processuais sobre organizações criminosas, com o objetivo de subsidiar políticas públicas e decisões judiciais.

Leia mais

TJAM recebe queixa-crime contra promotor que comparou advogada a cadela

O Tribunal Pleno do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) recebeu queixa-crime contra o então promotor de Justiça Walber Luís Silva do Nascimento, acusado...

Causa eleitoral antiga que não mais impeça candidatura deve prosseguir se ainda puder gerar multa, diz TSE

Decisão de Nunes Marques mantém vivo recurso relacionado às eleições de 2010 no Amazonas porque ainda subsiste a possibilidade de aplicação de sanção financeira Uma...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Comissão aprova regras mais rígidas para condenados por crimes sexuais contra crianças

A Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados aprovou projeto de lei que torna mais rigorosa a punição...

Hospital responde por fraude praticada com uso de dados sensíveis de paciente

A 2ª Turma Recursal dos Juizados Especiais do Distrito Federal manteve condenação do Hospital Brasília Unidade Águas Claras e do...

Uso de cartão com chip e senha não afasta responsabilidade do banco por fraude

A 1ª Turma Recursal dos Juizados Especiais do Distrito Federal manteve condenação do BRB Banco de Brasília S.A. a...

Moraes determina cassação da aposentadoria de ex-diretor da PRF

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta sexta-feira (21) a cassação da aposentadoria do...