Tribunal mantém pena por tráfico de maconha encontrada em casa sem mandado

Tribunal mantém pena por tráfico de maconha encontrada em casa sem mandado

Por ser um crime permanente, que se prolonga no tempo, o tráfico de drogas admite a prisão em flagrante enquanto perdurar a sua permanência. Nesse caso, não é obrigatória a apresentação de mandado de busca e apreensão para vistoriar uma moradia, desde que haja fundadas razões para desconfiar da ocorrência do delito no interior da casa.

Com essa fundamentação, a 4ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG) negou provimento ao recurso de apelação de um homem condenado a sete anos e três meses de reclusão, em regime inicial fechado. No carro e na residência do apelante, policiais militares encontraram 800 quilos de maconha.

“Os militares agiram dentro dos limites legais, pois houve denúncia anônima, ordem de parada do veículo conduzido pelo réu em via pública (tão logo saíra da garagem de casa) e, em fiscalização de rotina, foi possível apreender grande quantidade de maconha transportada no porta-malas”, destacou o relator da matéria, desembargador Corrêa Camargo.

Conforme o julgador, logo após encontrarem cinco barras de maconha no veículo (cerca de 2,5 quilos), os policiais ingressaram na casa do réu, onde foi apreendida “quantidade exorbitante de droga em depósito” (mais 1.457 barras da erva). “Logo, conclui-se pela absoluta legalidade do acesso ao domicílio sem mandado judicial”.

A defesa do réu sustentou no recurso a ocorrência de nulidade processual por invasão de domicílio sem ordem judicial, o que macularia as provas produzidas. No mérito, pediu a redução da pena, com a fixação do regime semiaberto, e a restituição do veículo, cujo perdimento em favor da União foi decretado na sentença.

Quanto à falta de mandado de busca alegada pela defesa, o relator sustentou que, muito embora houvesse situação de flagrante a legitimar o ingresso na casa pelos policiais, o réu ainda consentiu com a entrada dos PMs em sua residência, pois assinou “termo de autorização”.

Em relação ao pedido de diminuição da pena, o julgador ponderou que, ao contrário, seria o caso de aumentá-la, de acordo com o que consta dos autos. No entanto, como não houve recurso do Ministério Público pedindo a elevação, o princípio do non reformatio in pejus (que diz que não é possível agravar a situação do réu no julgamento de recurso exclusivo da defesa) veda a majoração.

Corrêa Camargo não liberou o carro do réu porque ele estava sendo usado para transportar drogas, havendo ainda a suspeita de que fora adquirido com o dinheiro do tráfico. O relator também cogitou a hipótese de o veículo ter sido utilizado para ocultar patrimônio ilícito, pois foi registrado em nome da mãe do acusado.

“Não há razão para deferir o pedido defensivo, sendo o perdimento um consectário óbvio da condenação”, justificou o desembargador, com base nos artigos 60 e 62 da Lei de Drogas (Lei 11.343/2006). Os desembargadores Guilherme de Azeredo Passos e Valladares do Lago acompanharam o relator.

Processo 1.0000.23.205039-3/001

Com informações do Conjur

Leia mais

STJ mantém prisão de investigados por movimentação milionária atribuída ao Comando Vermelho

Decisão da ministra Nilsoni de Freitas aponta suspeitas de operações financeiras por meio de empresas e criptomoedas e considera risco de continuidade das atividades...

Norma da Aneel não basta para justificar cobrança de energia sem medição

Ao examinar o processo, o TJAM considerou abusiva a cobrança integral baseada em estimativas, sem leitura efetiva do medidor. A concessionária invocou o artigo...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Mesmo após registro no TSE, canal Exército do Lula permanece suspenso por 48 horas

Decisão de Nunes Marques autoriza retomada do canal, mas impõe prazo que mantém temporariamente a restrição à comunicação com...

Trabalhadora que recebia fast food como alimentação diária será indenizada

Os julgadores da Sétima Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região (TRT-MG), por unanimidade, condenaram uma empresa...

TRT-MG afasta penhora de pensão de viúva em cobrança trabalhista contra sócio falecido

Os julgadores da Terceira Turma do TRT-MG, por unanimidade, mantiveram decisão que determinou, em processo de execução trabalhista, o...

Justiça determina reativação de conta em rede social e condena plataforma por danos morais

O 1º Juizado Especial Cível da Comarca de Natal (RN) determinou o restabelecimento de uma conta profissional do Instagram...