No Rio de Janeiro, mulheres podem solicitar medida protetiva de forma virtual

No Rio de Janeiro, mulheres podem solicitar medida protetiva de forma virtual

Em pouco mais de um ano, 850 mulheres do Rio de Janeiro dos mais diferentes segmentos sociais apresentaram petições de medida protetiva de urgência por violência doméstica ou familiar utilizando o aplicativo Maria da Penha Virtual. São mulheres que vivem em comunidades carentes, profissionais liberais, médicas e psicólogas que, durante o período de isolamento social provocado pela pandemia da Covid-19, não tiveram de comparecer a delegacias para o registro de boletins de ocorrência para garantir o afastamento do agressor.

“Quem sofre violência não tem tempo para esperar. E o aplicativo Maria da Penha Virtual foi desenvolvido com esse sentido de urgência: garantir a proteção rápida e imediata a mulheres vítimas de agressão, evitando que essa situação continue ou se agrave”, explica a juíza Adriana Ramos de Mello, titular do 1º Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher no Rio de Janeiro.

“O aplicativo facilita muito o pedido de medida protetiva de urgência. O formulário para preenchimento no link de acesso é uma petição que é levada ao juiz no prazo de uma hora após o envio. E isso pode ser feito de qualquer dispositivo eletrônico com acesso à internet: um celular, um computador ou um tablet, sem burocracia, sem a necessidade de um advogado e sem deslocamento até uma delegacia”, conta a magistrada.

O resultado efetivo em evitar a escalada da violência contra as mulheres assegurou ao aplicativo Maria da Penha Virtual, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), o Prêmio CNJ Juíza Viviane Vieira do Amaral na categoria Tribunal. A premiação foi criada em homenagem à magistrada carioca vítima de feminicídio em 2020 e busca dar visibilidade a iniciativas do Poder Judiciário e da sociedade que ajudam no enfrentamento à violência contra mulheres. O anúncio das iniciativas vencedoras foi feito pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em dezembro.

Pandemia
O aplicativo começou a ser desenvolvido a partir do aumento expressivo da violência contra as mulheres na pandemia da Covid-19 em decorrência de vários fatores, entre os quais confinamento, abuso de álcool e drogas, aumento do desemprego e maior incidência de doenças mentais. Levou em conta, também, a Lei n. 14.022/2020 que determinou a adoção de medidas de enfrentamento à violência doméstica e familiar.

Conforme dados do Dossiê Mulher 2020, somente no Rio de Janeiro 128.322 mulheres foram vítimas de violência doméstica ou familiar em 2019, o correspondente a 352 casos por dia e 15 casos a cada hora. Com o distanciamento social, os casos aumentaram ainda mais.

Esse contexto uniu o TJRJ e o Centro de Estudos de Direito e Tecnologia (Ceditec) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) para o desenvolvimento de uma solução que permitisse o pedido de medida protetiva de urgência pela Internet, sem a necessidade de comparecimento a delegacias. A nova ferramenta entrou em operação em novembro de 2020, tornando disponível um formulário de fácil preenchimento em situações de emergência.

 

Fonte: Conjur

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