MPF e DPE pedem audiência emergencial com governador da Bahia após chacina contra ciganos

MPF e DPE pedem audiência emergencial com governador da Bahia após chacina contra ciganos

O Ministério Público Federal (MPF), a Defensoria Pública da União (DPU) e a Defensoria Pública do Estado da Bahia (DPE/BA) pediram, em caráter emergencial, uma audiência com o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, para tratar da violência contra povos ciganos no estado. O encontro tem por objetivo a adoção de medidas efetivas para a proteção dessas comunidades. Na madrugada dessa última quinta-feira (5), uma chacina vitimou seis pessoas da mesma família de ciganos, incluindo uma criança e uma mulher grávida de nove meses, em Jequié, interior do estado.

Em ofício encaminhado ao governador, os órgãos de Justiça pontuam que este é mais um trágico acontecimento de uma série de episódios de violência contra povos ciganos ocorridos no estado nos últimos anos. O documento cita como exemplo o assassinato de uma família de oito pessoas, em Vitória da Conquista, no ano de 2021, além de cinco assassinatos cometidos em um intervalo de 24 horas nos municípios de Camaçari, Dias D’Ávila e Santo Amaro, nos dias 11 e 12 de janeiro do ano passado.

Para os procuradores da República Ramiro Rockenbach Teixeira, Marcos André Carneiro Silva e Marília Siqueira da Costa, que assinam o ofício, “a violência contra os povos ciganos, com toda espécie de discriminação e discursos de ódio, atravessa o curso da própria história, tornando-os vítimas incessantes de preconceitos negativos generalizados”.

Segundo eles, além da devida e ágil apuração para responsabilizar os autores dos crimes, é preciso que sejam adotadas medidas efetivas para frear a violência contra esses povos. A estratégia de ação deve ser construída e aplicada em conjunto com as próprias comunidades ciganas.

Medidas – Desde o ano passado, o MPF vem cobrando das autoridades federais e estaduais na Bahia providências para garantir condições de segurança para os povos ciganos no estado, bem como para populações indígenas e comunidades tradicionais. Entre as ações propostas estão:

– Criar uma força de segurança especializada apta a monitorar situações de conflito;

– Definir um plano de atuação articulado entre os governos estadual e federal, pelos próximos quatro anos, para atender as demandas prioritárias dessas populações;

– Implantar uma unidade de investigação especializada para tratar de casos relacionados a povos e comunidades tradicionais;

– Aperfeiçoar o atendimento a esses povos na Bahia, para oitivas e registro de ocorrências.

A ideia é que, por meio de um esforço conjunto, sejam desenvolvidas ações de prevenção e repressão de crimes, de forma a evitar a perda de vidas humanas, conferir agilidade às apurações e assegurar a efetiva responsabilização dos envolvidos. Essas medidas foram discutidas em reunião do Fórum em Defesa das Populações Indígenas e Comunidades Tradicionais na Bahia, realizada em maio deste ano na sede do MPF na Bahia, com a presença de órgãos dos governos federal e estadual.

Chacina de Jequié – Segundo a imprensa local, na madrugada dessa quinta-feira (5), seis pessoas de uma mesma família de ciganos foram mortas a tiros por homens encapuzados, que invadiram a casa da família e atiraram várias vezes. Todas as vítimas morreram no local. Entre elas estava uma criança de 4 anos e uma mulher grávida de nove meses.

O crime ocorreu no município de Jequié, que fica a 365 km de Salvador. Ainda segundo a imprensa local, a Polícia Civil investiga o caso.

Leia mais

Decisão judicial precária revogada obriga servidor a devolver valores recebidos

Valores recebidos por decisão judicial provisória devem ser devolvidos após revogação, reafirma STF. Valores pagos a servidor público por força de decisão judicial provisória —...

É administrativo: inventário extrajudicial dispensa alvará para levantamento de valores

A ampliação dos poderes do inventariante extrajudicial, consolidada pela regulamentação do Conselho Nacional de Justiça, tem esvaziado a necessidade de intervenção do Judiciário em...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Decisão judicial precária revogada obriga servidor a devolver valores recebidos

Valores recebidos por decisão judicial provisória devem ser devolvidos após revogação, reafirma STF. Valores pagos a servidor público por força...

Justiça derruba negativa de plano e garante cirurgia bariátrica a paciente com obesidade grave

A 6ª Vara Cível de Campo Grande/MS julgou procedente ação movida por uma paciente contra a operadora de plano...

Justiça condena empresa por obrigar empregado a trabalhar com calça rasgada de modo a expor partes íntimas

A Justiça do Trabalho condenou uma empresa a pagar R$ 5 mil em indenização por danos morais a um...

Justiça mantém presa acusada de tentar envenenar vítima internada em UTI

O Núcleo Permanente de Audiência de Custódia (NAC) do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT)...