Alegação de tortura sem prova que a confirme mantém validade de condenação em Manaus

Alegação de tortura sem prova que a confirme mantém validade de condenação em Manaus

Nos autos de embargos declaratórios  nº 000622604.2021.8.04.0000, que moveu contra Acórdão que confirmou sentença da 10ª Vara Criminal de Manaus por posse e porte ilegal de arma de fogo de uso permitido, com infração da Lei 10.826/2003, Antônio Marcos Pereira Capucho teve julgada improcedente recurso que manteve sentença de 1º grau, não se acolhendo a tese de tortura que levantara na pretensão de obter a nulidade da sentença que o condenou pelo fato de ter sido flagranteado com armas no carro, na estrada de Novo Airão, e posteriormente identificado, também, armamento em sua casa, no Bairro Mutirão em Manaus. Foi Relator João Mauro Bessa. 

Embora a ação penal tenha sido deflagrada em Manaus, a defesa argumentou a incompetência do juízo, mas, a decisão firmara que a infração se cuidava de crime permanente, nesse caso, a competência é determinada pela prevenção, uma vez que a infração fora praticada em território de duas ou mais jurisdições.

Por outro lado, a tese de que as provas foram obtidas por meios ilícitos, especialmente a confissão sob tortura, depunha contra as provas que foram carreadas aos autos, pois o laudo de exame de corpo de delito realizado na pessoa do acusado demonstrara que não houvera a prática de agressão contra o mesmo. Além do mais, a nova versão encontrou-se na contramão da prova produzida nos autos.

“Descendo aos lindes do caso concreto, observa-se que a irresignação do Embargante não merece prosperar, pois não há qualquer omissão no decisum combatido. Em verdade, a decisão demonstrou os fundamentos e os motivos totalmente suficientes que justificaram as razões de decidir e enfrentou todos os pontos relevantes da controvérsia”.

Leia o Acórdão:

PROCESSO PENAL – EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM APELAÇÃO CRIMINAL – OMISSÃO INEXISTENTE – MATÉRIA ENFRENTADA DE MANEIRA CLARA E FUNDAMENTADA PELO COLEGIADO – MERO INCONFORMISMO – REDISCUSSÃO DE MATÉRIA SUFICIENTEMENTE ANALISADA – ACLARATÓRIOS REJEITADOS. 1. Nos limites estabelecidos pelo artigo 619 do Código de Processo Penal, os Embargos de Declaração são cabíveis quando houver, na decisão, qualquer obscuridade, contradição, ambiguidade ou omissão a ser suprida. A não demonstração da ocorrência de tais vícios, cujo ônus pertence a parte que alega, implica na rejeição dos aclaratórios, na medida em que estes não podem ser utilizados com o propósito de obter um novo julgamento da causa. 2. Incabível falar em omissão do acórdão quando se verifica que o entendimento deste Órgão Julgador foi exposto de maneira clara e fundamentada no voto condutor do acórdão ora guerreado, demonstrando inexistir qualquer vício a ser sanado. 3. O que se verifica, in casu, é o mero inconformismo da defesa contra a manutenção da condenação aplicada ao acusado, pretendendo, em sede de embargos declaratórios, rediscutir a matéria devidamente analisada no acórdão embargado. 4. Sendo assim, o recurso não comporta acolhimento, visto que não há qualquer omissão a sanar, sendo certo que eventual irresignação contra a condenação do réu deverá ser posta nas instâncias superiores. 5. Embargos de Declaração rejeitados. (TJ-AM – ED: 00062260420218040000 Manaus, Relator: João Mauro Bessa, Data de Julgamento: 17/12/2021, Primeira Câmara Criminal, Data de Publicação: 17/12/2021)

Leia mais

STJ: Uso de celular durante trabalho fora do presídio configura falta grave

Ministro Reynaldo Soares da Fonseca destacou que a saída autorizada para trabalhar não afasta as regras disciplinares do cumprimento da pena. A autorização para trabalhar...

Falha em assembleia não basta para devolver cargo a síndico que renunciou

Primeira Câmara Cível do TJAM revogou liminar que afastava o sucessor; relator, desembargador Cláudio Roessing, destacou carta de renúncia anterior à reunião e regra...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Gilmar manda MPF rever punição após conselheiros serem excluídos de votação sobre pena de procurador

Gilmar Mendes anulou suspensão de procurador da República e determinou nova votação sobre a punição, com participação de todos...

Anvisa aprova primeiro medicamento de GLP-1 oral para obesidade

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, nesta quarta-feira (4), o registro para o medicamento Wegovy (semaglutida) com...

STJ: Uso de celular durante trabalho fora do presídio configura falta grave

Ministro Reynaldo Soares da Fonseca destacou que a saída autorizada para trabalhar não afasta as regras disciplinares do cumprimento...

Falha em assembleia não basta para devolver cargo a síndico que renunciou

Primeira Câmara Cível do TJAM revogou liminar que afastava o sucessor; relator, desembargador Cláudio Roessing, destacou carta de renúncia...