MPF no Amazonas recomenda sistema nacional para identificar a origem da cassiterita

MPF no Amazonas recomenda sistema nacional para identificar a origem da cassiterita

O procurador da República André Luiz Porreca Ferreira Cunha recomendou a órgãos da administração pública federal a adoção de providências voltadas à implementação de sistema nacional capaz de identificar a origem da cassiterita comercializada no país.

A medida foi expedida no âmbito de inquérito civil que apura a inserção, no mercado formal, de minério oriundo de garimpagem ilegal, diante da inexistência de mecanismos técnicos que permitam distinguir, após a circulação comercial, a produção lícita da ilícita.

A ausência de mecanismos nacionais de rastreabilidade da cassiterita pode favorecer a inserção de minério de origem ilícita na economia formal e comprometer a eficácia das políticas públicas de enfrentamento à mineração ilegal.

Com esse fundamento, o Ministério Público Federal expediu recomendação a órgãos e entidades da administração pública federal para que adotem providências voltadas à implementação de mecanismos eficazes de rastreabilidade da cassiterita e do estanho no território nacional. O documento foi assinado pelo procurador da República André Luiz Porreca Ferreira Cunha, no âmbito do Inquérito Civil nº 1.32.000.000206/2025-37, em trâmite na Procuradoria da República no Amazonas.

Segundo o MPF, investigações revelaram a existência de esquemas de inserção, no mercado formal, de cassiterita oriunda de garimpagem ilegal, posteriormente exportada e adquirida por conglomerados multinacionais. O documento também menciona a existência de mecanismos de inserção do minério no mercado formal por meio de empresas detentoras de lavras regulares em outras unidades da federação.

A recomendação sustenta que a inexistência de certificação técnico-científica da procedência da cassiterita inviabiliza a distinção objetiva entre minério lícito e ilícito após sua inserção no mercado formal, favorecendo a prática de lavagem de ativos minerais e comprometendo a preservação ambiental e os direitos dos povos indígenas.

Entre as providências indicadas estão a instituição de grupo técnico interinstitucional para elaboração de sistema nacional de rastreabilidade mineral, a certificação de procedência por lote extraído e comercializado, a integração de bases de dados minerárias, ambientais, fiscais e periciais e a regulamentação de deveres de diligência reforçada aplicáveis aos agentes da cadeia produtiva.

O MPF fixou prazo de 30 dias para que os órgãos destinatários apresentem resposta escrita quanto ao atendimento da recomendação, sob pena de ajuizamento de ação civil pública com o objetivo de obter o cumprimento das obrigações indicadas.

Leia mais

Primeira Turma confirma decisão de Moraes e mantém prisão de advogada investigada no Amazonas

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal impôs nova derrota recursal à defesa da advogada Adriana Almeida Lima, investigada na operação que apura a...

Decisão do STF reforça ofensiva contra garimpo ilegal no Amazonas

A decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, que determinou a adoção de medidas repressivas imediatas contra organizações criminosas na Amazônia Legal,...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

MPRJ denuncia policiais por crimes durante operação em favelas do Rio

Dez policiais militares foram denunciados pelo Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública do Ministério Público do Estado do...

PF prendeu 13 pessoas em operações contra fraudes no Master e no BRB

A Polícia Federal (PF) já prendeu 13 pessoas investigadas no âmbito da Operação Compliance Zero, deflagrada em novembro de...

STF tem maioria para derrubar lei de SC que proibiu cotas raciais

O Supremo Tribunal Federal (STF) formou nesta quinta-feira (16) maioria de votos para derrubar a lei de Santa Catarina...

AGU lança mestrado em Direito e Advocacia Pública

A Escola Superior da Advocacia-Geral da União (Esagu) lançou, na quarta-feira (15/4), o primeiro Mestrado Profissional em Direito e...