STJ: recuperação judicial não impede garantia de crédito tributário em execução fiscal

STJ: recuperação judicial não impede garantia de crédito tributário em execução fiscal

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que o governo pode reservar créditos dentro de um processo de recuperação judicial para garantir o pagamento de impostos que estão sendo cobrados na Justiça, o que tecnicamente se denomina penhora no rosto dos autos. 

Na prática, isso significa que, mesmo quando uma empresa está em recuperação judicial, o Estado pode pedir que valores que ela venha a receber em outro processo fiquem “separados” para pagar a dívida tributária. 

No caso analisado, o Estado de São Paulo tenta cobrar quase R$ 10 milhões em ICMS de uma empresa que está em recuperação judicial. Como não encontrou bens ou dinheiro para penhorar diretamente, pediu que eventuais valores que a empresa venha a receber no processo de recuperação fiquem vinculados à dívida.

O Tribunal de Justiça de São Paulo havia negado o pedido, entendendo que somente o juiz da recuperação judicial poderia decidir sobre isso. O STJ, porém, mudou essa interpretação.

Segundo a Corte, essa penhora não retira bens da empresa nem atrapalha seu funcionamento, porque apenas “marca” um possível crédito futuro. Por isso, ela pode ser determinada pelo juiz da execução fiscal.

O STJ explicou que o juiz da recuperação judicial continua tendo a palavra final caso a penhora venha a atingir bens essenciais para a empresa continuar funcionando. Nessa situação, ele pode trocar a garantia ou ajustar a medida para proteger a atividade empresarial.

Com a decisão, o STJ deixou claro que a recuperação judicial não impede a cobrança de impostos e que o Estado pode adotar medidas para evitar que o crédito tributário fique sem garantia, desde que haja diálogo entre os juízes envolvidos.

RECURSO ESPECIAL Nº 2216490 – SP (2025/0199349-9)

Leia mais

Defensoria aponta desigualdade orçamentária entre órgãos de Justiça e pede correção

A Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM) manifestou preocupação com a aprovação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2027 sem previsão de...

STJ volta a afastar regime fechado automático em condenação por tráfico de drogas

O caso envolveu um homem condenado por tráfico interestadual após ser preso no aeroporto de Guarulhos, em circunstâncias relacionadas ao recebimento de cerca de...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

CNJ estabelece novas regras para sepultamento e registro de óbito de corpos não identificados

A autorização judicial para enterro de corpos não identificados e o processamento de certidões de óbito têm novas diretrizes....

CNMP aplica 20 dias de suspensão a promotor de Justiça por manuseio de arma de fogo contra outro promotor

O Plenário do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) aplicou, por unanimidade, a penalidade de 20 dias de suspensão...

Medida institui prova do MEC como pré-requisito para exercício da medicina

Estudantes de medicina deverão ser aprovados no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), aplicado pelo Ministério da...

Defensoria aponta desigualdade orçamentária entre órgãos de Justiça e pede correção

A Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM) manifestou preocupação com a aprovação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO)...