TRF1 garante pensão por morte a viúva mesmo sem registro de desemprego do segurado

TRF1 garante pensão por morte a viúva mesmo sem registro de desemprego do segurado

A 1ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) garantiu o direito à pensão por morte a uma viúva, mesmo sem a apresentação de documento oficial que comprovasse que seu marido estava desempregado quando faleceu. A decisão reformou parcialmente sentença que já havia reconhecido o benefício, apenas para ajustar os honorários advocatícios.

O falecido era contribuinte individual, ou seja, trabalhava por conta própria e pagava diretamente ao INSS. Após a falência da empresa que ele mantinha, deixou de exercer qualquer atividade remunerada. O INSS, no entanto, negou o benefício sob o argumento de que não havia prova formal de desemprego — como um registro no Ministério do Trabalho —, o que, segundo o órgão, impediria a manutenção do direito à proteção previdenciária.

O relator do caso, desembargador federal Morais da Rocha, destacou que esse tipo de prova não é o único meio aceito pela Justiça. Segundo ele, testemunhos e documentos apresentados no processo confirmaram que o trabalhador não voltou a exercer nenhuma atividade profissional após o encerramento das atividades empresariais.

O ponto central da discussão foi o chamado “período de graça”, que é o tempo em que a pessoa continua com direitos na Previdência mesmo após parar de contribuir. Esse prazo é, em regra, de 12 meses, mas pode ser estendido para até 36 meses em caso de desemprego involuntário e histórico de longas contribuições — o que se aplicava ao caso do falecido, que havia contribuído por mais de 10 anos.

Com isso, o Tribunal reconheceu que, embora não houvesse o registro formal de desemprego, havia provas suficientes de que ele continuava protegido pela Previdência no momento da morte, o que garante o direito da esposa ao benefício de pensão por morte.

Processo: 1006289-03.2020.4.01.3900

Leia mais

Sem argumentos capazes de afastar cassação de diploma, TSE mantém decisão contra vereador de Coari

TSE mantém cassação de diploma de vereador em Coari e reforça limites à inovação recursal. A condenação criminal transitada em julgado que resulte na suspensão...

Risco de efeitos irreparáveis da alienação antecipada de bens justifica mandado de segurança

O mandado de segurança é cabível para conferir efeito suspensivo a apelação contra alienação antecipada de bens no processo penal.  O remédio constitucional pode ser...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Frias nega ao STF envio de emendas para financiar filme de Bolsonaro

O deputado Mário Frias (PL-SP) negou na segunda-feira (25) ter enviado emendas parlamentares para financiar a produtora responsável pelas...

Caso Henry: julgamento é suspenso e será retomado nesta terça-feira

Após cerca de seis horas de sessão, o julgamento do assassinato do menino Henry Borel Medeiros foi suspenso e será...

Moraes mantém prisão de condenados pelo assassinato de Marielle Franco

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu na segunda-feira (25) manter a prisão dos acusados...

STJ aplica perspectiva de gênero ao ingresso de droga em presídio e mantém falta grave de preso

A Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve o reconhecimento de falta grave imputada a um preso...