Sentença que reconhece união estável também fixa direito à pensão por morte, diz Justiça

Sentença que reconhece união estável também fixa direito à pensão por morte, diz Justiça

Segundo a sentença, o vínculo conjugal, reconhecido pela Vara de Família e que declarou a união estável “como entidade familiar” entre a autora  e o servidor falecido, foi ato judicial que produziu efeitos para todos e contra todos, inclusive a administração pública. 

Mesmo que a Amazonprev não tenha sido parte no processo em que foi reconhecida a união estável, o ente público fica adstrito ao decisório em virtude da eficácia declaratória da sentença lá proferida”, registrou a juíza Etelvina Lobo, da Vara da Fazenda Pública. 

No caso concreto, um pedido de pensão por morte foi efetuado pela ex- companheira de um segurado do Amazonprev. O órgão previdenciário, inicialmente, negou o direito sob o argumento de que a ‘viúva’ não teria comprovado convivência estável com o servidor até o momento do falecimento, em 2014. Sem alternativa, ela buscou o Judiciário — e acabou obtendo não apenas o reconhecimento da união estável, mas também o direito à pensão vitalícia.

A 3ª Vara da Fazenda Pública Estadual reconheceu que o ato judicial declaratório da união estável, proferido pela Vara de Família, tem eficácia plena e vinculante para fins de natureza  previdenciária, ainda que a autarquia não tenha participado do processo. A juíza  afirmou que “não faz sentido discutir o direito de recebimento da pensão, pois há decisão judicial transitada em julgado declarando a união”.

“Mesmo que a Amazonprev não tenha sido parte no processo em que foi reconhecida a união estável, o ente público fica adstrito ao decisório, em virtude da eficácia declaratória da sentença lá proferida”, escreveu a magistrada. Com base nessa fundamentação, a sentença determinou a implantação imediata da pensão por morte e o pagamento retroativo dos valores desde o primeiro requerimento administrativo.

Amazonprev recorre e diz que sentença “não cria o que não existiu”

Inconformada, a Fundação Amazonprev recorreu da decisão. A autarquia afirma que a sentença que reconheceu a união estável “não é prova absoluta da convivência” e sustenta que a decisão da Vara de Família baseou-se apenas em prova testemunhal, com ausência de documentos materiais contemporâneos ao óbito. Para o órgão, o reconhecimento judicial não substitui a exigência legal de comprovação documental da união, sendo necessária a análise de outros elementos.

“A sentença reconhece a união, mas não a cria. Se não houve convivência de fato, a sentença não a trará à existência”, diz o texto do recurso. A defesa também alegou violação ao artigo 489, §1º, do Código de Processo Civil, sustentando que a sentença de primeiro grau não enfrentou todas as teses da contestação, especialmente quanto à insuficiência de provas materiais.

O Tribunal de Justiça do Amazonas deverá decidir se a sentença declaratória basta para gerar o direito à pensão ou se a Amazonprev pode reexaminar as provas do vínculo. 

Processo 0047931-47.2025.8.04.1000

Leia mais

Justiça considera abusivos cortes reiterados de energia mesmo com aviso prévio

Sentença afirma que comunicação antecipada não afasta responsabilidade quando interrupções sucessivas do serviço essencial causam prejuízos aos consumidores. A Justiça do Amazonas considerou abusivas interrupções...

Justiça condena Instagram por bloqueio de contas sem prova de violação às regras de uso

Em decisões sucessivas, plataforma foi obrigada a reativar perfis e pagar indenizações após não demonstrar quais normas teriam sido descumpridas pelos usuários. A Justiça do...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Justiça considera abusivos cortes reiterados de energia mesmo com aviso prévio

Sentença afirma que comunicação antecipada não afasta responsabilidade quando interrupções sucessivas do serviço essencial causam prejuízos aos consumidores. A Justiça...

Justiça condena Instagram por bloqueio de contas sem prova de violação às regras de uso

Em decisões sucessivas, plataforma foi obrigada a reativar perfis e pagar indenizações após não demonstrar quais normas teriam sido...

INSS confunde morte de filha com a da mãe, corta aposentadoria e é condenado no Amazonas

A Justiça Federal condenou o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) a pagar R$ 8 mil por danos morais...

Aposentado que votar nas eleições pode ter Prova de Vida feita automaticamente

Comparecimento às urnas integra os dados utilizados pelo INSS para comprovação de vida e pode dispensar beneficiário de novo...