Justiça Eleitoral condena Ciro Gomes por violência política de gênero

Justiça Eleitoral condena Ciro Gomes por violência política de gênero

A atribuição de êxito político feminino a supostos relacionamentos pessoais ou sexuais pode configurar violência política de gênero quando utilizada para desqualificar o exercício de mandato eletivo.

Com esse entendimento, a Justiça Eleitoral do Ceará condenou o ex-ministro e pré-candidato ao governo estadual, Ciro Gomes, por declarações dirigidas à prefeita de Cratéus, Janaína Farias.

A sentença reconheceu que expressões empregadas por Ciro em entrevistas e manifestações públicas ultrapassaram os limites da crítica política e tiveram conteúdo depreciativo relacionado à condição de mulher da adversária. Entre as declarações examinadas no processo, o ex-ministro associou a trajetória política da então senadora suplente a supostos vínculos íntimos com o ex-governador e ex-ministro da Educação Camilo Santana.

O magistrado aplicou o artigo 326-B do Código Eleitoral, dispositivo introduzido para coibir a violência política contra mulheres. A norma prevê sanção para quem assediar, constranger, humilhar, perseguir ou ameaçar candidata ou detentora de mandato eletivo mediante menosprezo ou discriminação relacionada ao gênero, com a finalidade de dificultar campanha eleitoral ou o exercício do cargo.

Embora a pena fixada tenha sido de um ano e quatro meses de reclusão, o juízo substituiu a sanção privativa de liberdade por prestação pecuniária. A decisão determinou o pagamento de 20 salários mínimos à vítima e de 50 salários mínimos a entidades voltadas à proteção dos direitos das mulheres. A defesa poderá recorrer.

Ao analisar o caso, a Justiça afastou a alegação de que as declarações tinham como alvo exclusivo o ex-governador Camilo Santana. Para o juízo, as expressões utilizadas reproduziram estereótipos de gênero aptos a desqualificar a atuação política da autora em razão de sua condição feminina, circunstância que atrai a incidência da proteção conferida pela legislação eleitoral.

Leia mais

Tem que esperar: inadimplência impede nova renegociação de dívida tributária por dois anos

Justiça Federal nega pedido para afastar impedimento de adesão a transação tributária após rescisão por inadimplência. A transação tributária constitui faculdade da Administração Pública e...

Justiça obriga Águas de Manaus a religar água após corte antes de vistoria técnica

Discussão sobre cobranças consideradas abusivas e interrupção antecipada do fornecimento de água levou a Justiça do Amazonas a conceder tutela de urgência contra a...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

STJ vai decidir se desconto indevido em aposentadoria gera dano moral automático

STJ vai definir se desconto indevido em benefício previdenciário gera dano moral presumido. A definição da tese terá impacto...

Justiça Eleitoral condena Ciro Gomes por violência política de gênero

A atribuição de êxito político feminino a supostos relacionamentos pessoais ou sexuais pode configurar violência política de gênero quando...

Tem que esperar: inadimplência impede nova renegociação de dívida tributária por dois anos

Justiça Federal nega pedido para afastar impedimento de adesão a transação tributária após rescisão por inadimplência. A transação tributária constitui...

Justiça obriga Águas de Manaus a religar água após corte antes de vistoria técnica

Discussão sobre cobranças consideradas abusivas e interrupção antecipada do fornecimento de água levou a Justiça do Amazonas a conceder...