Família de jovem morto em abordagem policial volta às ruas em Manaus e questiona sigilo das investigações

Família de jovem morto em abordagem policial volta às ruas em Manaus e questiona sigilo das investigações

A decretação da prisão preventiva de dois policiais militares investigados pela morte do jovem Carlos André de Almeida Cardoso, de 19 anos, não encerrou a tensão institucional em torno do caso.

Familiares e amigos da vítima realizam nesta semana uma nova manifestação em frente ao Fórum Ministro Henoch Reis, em Manaus, cobrando transparência nas investigações e acesso aos autos do procedimento.

O caso ganhou repercussão após a divulgação de imagens de câmeras de segurança que registraram a abordagem policial ocorrida na madrugada de 19 de abril, no bairro Alvorada, zona Centro-Oeste da capital amazonense. Nas gravações, divulgadas pela imprensa local, o jovem aparece cercado e agredido momentos antes de ser atingido por um disparo no peito.

Os policiais militares Belmiro Wellington Costa Xavier e Hudson Marcelo Vilela de Campos passaram a ser investigados pelo episódio. Inicialmente, um deles havia obtido liberdade provisória durante audiência de custódia. Posteriormente, porém, o juiz Alcides Carvalho Vieira Filho reconsiderou a decisão e decretou a prisão preventiva dos dois agentes, após manifestação favorável do Ministério Público do Estado do Amazonas.

Segundo a decisão judicial, novos vídeos anexados aos autos indicariam que a vítima não oferecia resistência durante a abordagem. O magistrado também apontou indícios de uso excessivo da força e possíveis inconsistências nas versões inicialmente apresentadas pelos policiais, fundamentos utilizados para justificar a necessidade da custódia cautelar.

Mesmo após as prisões preventivas, a defesa da família sustenta que persistem restrições ao acompanhamento das investigações. O advogado Alexandre Torres Jr. afirma que o sigilo integral decretado sobre os autos acabou impedindo o acesso da mãe da vítima às informações relacionadas à apuração do caso.

Diante disso, a defesa protocolou representação junto à Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Amazonas, alegando cerceamento de acesso aos elementos investigativos. A petição também menciona dificuldades de consulta ao Procedimento Investigatório Criminal conduzido no âmbito da 60ª Promotoria de Justiça.

Os advogados da família sustentam que a restrição afrontaria a Súmula Vinculante 14 do Supremo Tribunal Federal, segundo a qual a defesa possui direito de acesso aos elementos de prova já documentados em investigação. A manifestação também invoca o Protocolo de Minnesota, referência internacional para apuração de mortes potencialmente ilícitas envolvendo agentes do Estado.

A mãe da vítima, Elaine dos Santos Almeida, afirma que os policiais inicialmente informaram à família que Carlos André teria sofrido um acidente de motocicleta. Segundo relato prestado à imprensa, apenas após a chegada da perícia teria sido identificado o ferimento causado por disparo de arma de fogo no peito do jovem.

O caso segue sob investigação. Até o momento, não houve divulgação pública integral dos fundamentos do sigilo judicial imposto aos autos nem manifestação detalhada das instituições citadas pela defesa acerca das alegações apresentadas.

Leia mais

Ultrapassado o limite gratuito de saques, cobrança de tarifa bancária é legítima

A 3ª Turma Recursal dos Juizados Especiais do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) decidiu que a cobrança de tarifa por saques realizados em...

Tratamento mais adequado de doença grave pode exigir fármaco não incorporado ao SUS

O tratamento mais adequado de uma doença grave pode justificar, em caráter excepcional, o fornecimento de medicamento ainda não incorporado ao SUS para determinada...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Ultrapassado o limite gratuito de saques, cobrança de tarifa bancária é legítima

A 3ª Turma Recursal dos Juizados Especiais do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) decidiu que a cobrança de...

Tratamento mais adequado de doença grave pode exigir fármaco não incorporado ao SUS

O tratamento mais adequado de uma doença grave pode justificar, em caráter excepcional, o fornecimento de medicamento ainda não...

Empresa do Simples pode aproveitar Reintegra em vendas para a ZFM

Empresa optante pelo Simples Nacional pode aproveitar créditos do Reintegra sobre receitas de vendas destinadas à Zona Franca de...

Justiça determina indenização a grupo enganado e coagido a retirar armas em aeroporto de Porto Alegre (RS)

O Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) condenou a empresa Taurus Armas S.A. a pagar indenizações por danos...