Sem perda da atualidade: STJ mantém prisão de acusado de feminicídio encontrado após dez anos

Sem perda da atualidade: STJ mantém prisão de acusado de feminicídio encontrado após dez anos

A fuga prolongada do distrito da culpa e o paradeiro desconhecido do acusado constituem fundamentos idôneos para manutenção da prisão preventiva, ainda que a captura ocorra anos depois do decreto prisional.

Com esse entendimento, o Superior Tribunal de Justiça manteve a custódia de acusado de feminicídio no Amazonas e afastou alegações de ausência de contemporaneidade da medida cautelar.

A fuga prolongada e o paradeiro desconhecido do acusado podem manter a atualidade da prisão preventiva mesmo após longo intervalo entre o decreto e o cumprimento da medida. Com esse entendimento, o Superior Tribunal de Justiça manteve a custódia de homem acusado de feminicídio no Amazonas, localizado apenas dez anos após a interrupção da marcha processual.

A defesa sustentava que a prisão preventiva, decretada em 2021 com fundamento no artigo 366 do Código de Processo Penal, carecia de contemporaneidade e não poderia subsistir após a localização do acusado. Alegou ainda inexistência de fuga deliberada, insuficiência das diligências para localização, além de circunstâncias pessoais favoráveis, como idade avançada, residência fixa, trabalho lícito e condição de indígena semianalfabeto.

Ao analisar o caso, o ministro Og Fernandes observou que as instâncias ordinárias identificaram elementos concretos para justificar a manutenção da custódia. Segundo a decisão, o acusado permaneceu em local desconhecido pela Justiça desde 2016 até março de 2026, quando foi localizado em Teresina, no Piauí, cenário que levou à paralisação do processo por aproximadamente uma década.

O Tribunal destacou ainda que o histórico processual apontaria facilidade de deslocamento entre estados e risco de nova ocultação após a retomada do processo. A decisão reproduziu entendimento consolidado segundo o qual a evasão do distrito da culpa constitui fundamento válido para assegurar a aplicação da lei penal e pode sustentar a segregação cautelar.

Outro ponto enfrentado envolveu a alegação de ausência de esgotamento das tentativas de localização do réu antes da citação por edital. O STJ entendeu que a análise aprofundada dessa discussão exigiria reexame probatório incompatível com a via estreita do habeas corpus.

Ao final, a Corte também reafirmou entendimento de que condições pessoais favoráveis não impedem a manutenção da prisão preventiva quando permanecem presentes os requisitos cautelares previstos em lei. Com isso, o habeas corpus não foi conhecido.

Processo 0180518-20.2026.3.00.0000

Leia mais

Justiça valida justa causa de professor após denúncias de assédio sexual em universidade de Manaus

Um professor do curso de direito do Centro Universitário Esbam, em Manaus, demitido por justa causa em 2024 após denúncias de assédio sexual feitas...

DPE empossa duas novas defensoras públicas para atuação no interior do Amazonas

A Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM) empossou, nessa segunda-feira (15), duas novas defensoras públicas para reforçar o atendimento jurídico à população do...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Justiça valida justa causa de professor após denúncias de assédio sexual em universidade de Manaus

Um professor do curso de direito do Centro Universitário Esbam, em Manaus, demitido por justa causa em 2024 após...

DPE empossa duas novas defensoras públicas para atuação no interior do Amazonas

A Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM) empossou, nessa segunda-feira (15), duas novas defensoras públicas para reforçar o...

Justiça condena comerciante a indenizar entregador agredido durante retirada de pedido

Um entregador por aplicativo deverá ser indenizado em R$ 5 mil por danos morais após ser agredido com uma...

Justiça mantém indenização a filha vítima de violência psicológica praticada pelo pai

A 3ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul manteve a condenação de um homem...