Homem que invadiu casa da ex-companheira e a constrangeu em público é condenado

Homem que invadiu casa da ex-companheira e a constrangeu em público é condenado

O 3º Juizado da Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher condenou um homem pelos crimes de violência psicológica e vias de fato praticados contra a ex-companheira, no contexto de violência doméstica e familiar. A denúncia, apresentada pelo Ministério Públicodo Rio Grande do Norte (MPRN), foi julgada parcialmente procedente.

Segundo os autos, entre setembro de 2022 e abril de 2023, o réu adotou uma série de comportamentos para intimidar e constranger a mulher, com quem tem uma filha. Entre os episódios relatados estão a invasão da residência da vítima sem autorização, abordagens ao então namorado dela, constrangimentos em locais públicos e agressões na presença da filha do casal.

Conforme a denúncia, em setembro de 2022, o acusado procurou o então companheiro da vítima para perguntar se ele estava “realmente ficando” com ela.

Três meses depois, entrou na residência da ex-companheira sem permissão, foi até o quarto onde ela dormia e pegou seu celular. Ao sair, pediu à diarista que não informasse à vítima sobre sua presença no imóvel.

Em março de 2023, durante uma festa em Goianinha, voltou a abordar a ex-companheira de forma intimidatória, perguntando: “Onde está seu namorado agora?”. A situação fez com que ela deixasse o evento.

No mês seguinte, o homem foi até a academia onde a vítima treinava e passou a gritar, diante de outras pessoas: “Por que você não deixa eu ver a minha filha?” e “Você não está deixando eu ver a minha filha na Páscoa”.

Ainda em abril, no estacionamento do condomínio onde a mulher morava, ele voltou a abordá-la, gritou com ela diante da filha do casal e empurrou uma bolsa contra seu corpo.

A denúncia relata ainda que o réu frequentemente procurava pessoas do convívio da vítima para obter informações sobre sua rotina e dizia a terceiros que havia sido ele quem colocou fim ao relacionamento.

Análise judicial

Ao analisar o caso, a juíza Suzana Paula de Araújo destacou que crimes de violência doméstica costumam ocorrer sem a presença de testemunhas e, por isso, o depoimento da vítima, quando coerente e em sintonia com as demais provas, possui especial relevância.

O Ministério Público também pediu a condenação pelo crime de perseguição. A magistrada, porém, concluiu que não havia provas suficientes para caracterizar esse delito.

“Diante de todo o exposto, não restou demonstrada a ocorrência da prática do crime de perseguição, que está a exigir, para a sua configuração, uma habitualidade e reiteração de condutas tendentes a cercear a liberdade de locomoção e privacidade da ofendida”, registrou na sentença.

Em relação aos crimes de violência psicológica e vias de fato, a juíza entendeu que autoria e materialidade ficaram demonstradas pelo conjunto probatório. A defesa alegou que havia contradições nos depoimentos e insuficiência de provas, argumento que não foi acolhido.

“No que diz respeito ao delito de violência psicológica, autoria e materialidade restaram comprovadas. Nesse ponto, cabe registrar que o delito de violência psicológica não está a exigir, para a comprovação do dano emocional, a produção de prova pericial, de modo que o dano psicológico pode ser comprovado através de testemunhas, documentos e pelo depoimento coerente da vítima”, destacou.

A magistrada ressaltou ainda que a vítima foi firme e coerente ao relatar o episódio em que foi atingida por uma bolsa empurrada pelo réu, sem qualquer indício de exagero ou intenção de prejudicá-lo.

Decisão

O homem foi condenado a seis meses de reclusão pelo crime de violência psicológica e a 28 dias de prisão simples pelo crime de vias de fato. As penas deverão ser cumpridas, inicialmente, em regime aberto. Além da condenação criminal, ele deverá pagar R$ 3 mil à vítima, a título de indenização por danos morais.

Com informações do TJ-RN

Leia mais

Péricles Júnior assume a Corregedoria-Geral da Defensoria do Amazonas

Com a definição, o defensor público exercerá mandato de dois anos à frente do órgão responsável pelo acompanhamento e pela fiscalização das atividades funcionais...

Justiça manda restabelecer recargas do Passe Livre Estudantil em Manaus

Justiça determinou que Sinetram retome em 24 horas após intimação as recargas do Passe Livre Estudantil em Manaus. A decisão foi obtida pela Defensoria...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Azul é condenada em Alagoas a indenizar passageiro por atraso de oito horas em voo

A Azul Linhas Aéreas deverá pagar R$ 4 mil a um passageiro que perdeu conexão após atraso no voo...

Comissão aprova fim da exigência de nome civil junto ao nome social na identidade

A Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Decreto Legislativo...

Projeto prevê alerta em equipamento eletrônico e contenção remota de agressores com medida de proteção

O Projeto de Lei 5542/26 estabelece novas regras para o monitoramento eletrônico como medida protetiva, incluindo alertas sonoros e...

Banco deve indenizar pessoa sob curatela por empréstimo consignado sem autorização

Descontos realizados no benefício previdenciário de uma pessoa submetida a curatela, sem comprovação de contratação válida de empréstimo consignado,...