Justiça mantém fornecimento de Darolutamida a paciente com câncer de próstata

Justiça mantém fornecimento de Darolutamida a paciente com câncer de próstata

A Quinta Turma do Tribunal Regional Federal da 5ª Região – TRF5 negou as apelações da União Federal e do estado de Pernambuco, mantendo o fornecimento do medicamento Darolutamida a um paciente com câncer de próstata. A decisão, em Primeira Instância, da 24ª Vara Federal de Pernambuco, havia determinado que a União custeasse a medicação, cabendo ao estado de Pernambuco a responsabilidade pelo seu armazenamento, distribuição e dispensação, pelo período necessário ao tratamento.

A União argumentou, no recurso, cerceamento de defesa, pela não realização de prova pericial. Além disso, afirmou que o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece alternativas terapêuticas para o caso, que não houve comprovação da imprescindibilidade do tratamento, que o medicamento é de alto custo e que a substância não foi analisada pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (CONITEC). O Estado de Pernambuco, além de acompanhar o entendimento da União, no que diz respeito à ausência de análise por parte da CONITEC, alegou também a ausência de laudo médico atestando a imprescindibilidade do medicamento.

A Turma entendeu, porém, que o paciente preenche todos os requisitos para pleitear o tratamento e que as teses apresentadas nas apelações não merecem prosperar. A relatora do processo, desembargadora federal Cibele Benevides, lembrou, em seu voto, que a análise da CONITEC não é necessária nem vinculante para o fornecimento de fármacos oncológicos. “O parecer do órgão técnico tem como objetivo orientar a União na padronização dos medicamentos, no intento de facilitar a logística e diminuir os custos, porém não impede o fornecimento ou não de medicamentos nem na esfera administrativa, muito menos na judicial”, afirmou a magistrada.

Cibele Benevides destacou, ainda, que, antes de decidir sobre a tutela de urgência, o juízo de primeiro grau submeteu o caso concreto ao Núcleo de Apoio Técnico do Poder Judiciário (NAT-Jus), além do que a Darolutamida tem registro ativo na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e atende, portanto, aos padrões de segurança e eficácia exigidos para o tratamento das doenças especificadas em sua bula, dentre as quais se encontra a que acomete o autor. Outro aspecto levado em conta, na decisão, foi a incapacidade financeira do paciente em arcar com o alto custo do medicamento, bem como o laudo técnico da oncologista que o acompanha, atestando que já foram esgotadas todas as alternativas terapêuticas existentes no SUS para este tipo de doença (radioterapia e hormonioterapia).

PROCESSO Nº: 0802883-59.2022.4.05.8302

Fonte TRF

Leia mais

Ex-policial absolvido na esfera criminal perde pedido de R$ 500 mil por demissão

O caso teve origem na investigação sobre um veículo furtado encontrado em via pública, em 2012. Acusado de receptação e adulteração da identificação do...

Plano indenizará paciente por informações contraditórias sobre retirada de órgãos em cirurgia

Juíza Mônica Cristina Raposo da Câmara Chaves do Carmo fixou reparação de R$ 10 mil por falhas nos registros e no dever de informação...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Ex-policial absolvido na esfera criminal perde pedido de R$ 500 mil por demissão

O caso teve origem na investigação sobre um veículo furtado encontrado em via pública, em 2012. Acusado de receptação...

STJ condena mais uma desembargadora do TJBA e cassa aposentadoria

​Em novo julgamento derivado da Operação Faroeste – investigação sobre esquema de venda de decisões judiciais na Bahia –,...

Plano indenizará paciente por informações contraditórias sobre retirada de órgãos em cirurgia

Juíza Mônica Cristina Raposo da Câmara Chaves do Carmo fixou reparação de R$ 10 mil por falhas nos registros...

Militar mantém direito à promoção mesmo após suspensão da lista que o habilitava ao novo posto

STJ preservou decisão do TJAM favorável a oficial da PMAM; caso envolve requisitos de carreira, antiguidade e condição de...