Falha na transferência de veículo leiloado também obriga IMMU a indenizar

Falha na transferência de veículo leiloado também obriga IMMU a indenizar

Se um veículo é arrematado em leilão público e a empresa contratada pela Prefeitura não faz a transferência de propriedade, o órgão público também pode ser responsabilizado porque deixou de fiscalizar.

Esse foi o entendimento firmado pela 1ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Amazonas ao negar provimento à apelação do Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU), que buscava afastar sua responsabilidade subsidiária em ação indenizatória movida por arrematante de motocicleta.

O caso: arremate e frustração do direito

O processo teve origem após um comprador arrematar, em leilão promovido pelo IMMU e executado pela empresa VIP Gestão e Logística Ltda., uma motocicleta Honda CG 150 Titan EX. Apesar do pagamento, o veículo jamais teve a titularidade transferida junto ao Detran/AM, obrigando o arrematante a recorrer à Justiça.

Em primeira instância, a 1ª Vara da Fazenda Pública determinou a regularização da transferência e condenou a leiloeira e, subsidiariamente, o IMMU, ao pagamento de R$ 5 mil por danos morais.

O recurso e a fundamentação

Na apelação, o IMMU alegou ilegitimidade passiva e sustentou que a responsabilidade seria exclusiva da empresa leiloeira. O relator, desembargador Cláudio Cesar Ramalheira Roessing, rejeitou a tese e ressaltou que, por se tratar de certame público, a autarquia tem o dever de fiscalizar a execução contratual.

Segundo o voto, a omissão caracteriza culpa in vigilando, hipótese que atrai a responsabilização objetiva prevista no art. 37, §6º, da Constituição. O relator ainda destacou precedentes do STJ e das Turmas Recursais do TJAM que consolidam a tese de que a Administração responde por falhas de empresas terceirizadas em leilões de veículos apreendidos.

Processo n. 0619537-49.2017.8.04.0001

Leia mais

Justiça mantém sob monitoração eletrônica médico investigado por morte de recém-nascido no Amazonas

O juiz Odílio Pereira Costa Neto, da Vara Única de Eirunepé, manteve a monitoração eletrônica imposta ao médico Humberto Fuertes Estrada, investigado pela morte...

STF afasta cabimento de reclamação contra ato do CRM/AM que negou registro médico por revalidação

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, negou seguimento a reclamação constitucional ajuizada por médico formado em Cuba que buscava reverter ato do...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Em ação com a Interpol, PF prende em Dubai hacker do caso Banco Master

A Polícia Federal (PF) prendeu, no sábado (16) o hacker Victor Lima Sedlmaier, um dos investigados na Operação Compliance...

Justiça mantém sob monitoração eletrônica médico investigado por morte de recém-nascido no Amazonas

O juiz Odílio Pereira Costa Neto, da Vara Única de Eirunepé, manteve a monitoração eletrônica imposta ao médico Humberto...

STF afasta cabimento de reclamação contra ato do CRM/AM que negou registro médico por revalidação

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, negou seguimento a reclamação constitucional ajuizada por médico formado em Cuba...

STF mantém tese de que perda de cargo de promotor de justiça independe de trânsito penal

STF mantém possibilidade de perda de cargo de membro vitalício do MP sem prévia condenação penal definitiva. A Primeira Turma...