DPE-AM leva ao STJ novos relatos sobre uso de explosivos em operações da PF no Rio Madeira

DPE-AM leva ao STJ novos relatos sobre uso de explosivos em operações da PF no Rio Madeira

A Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM) protocolou, no dia 14 de outubro, petição no Superior Tribunal de Justiça (STJ) com novos documentos e vídeos que denunciam o uso irregular de explosivos e gás lacrimogêneo em operação recente da Polícia Federal na calha do Rio Madeira, entre Humaitá e Manicoré. O caso é relatado pelo Ministro Francisco Falcão, do STJ. 

A manifestação foi apresentada no processo do mandado de segurança coletivo em que a DPE pede a proibição do uso de artefatos incendiários em ações de combate ao garimpo ilegal, e foi assinada pelos defensores Newton Lucena, Ricardo Paiva e Theo Costa, do Grupo de Trabalho Teko Porã – Vida Digna.

Na petição, a Defensoria invoca a previsão legal que autoriza a juntada de documentos novos para comprovar fatos supervenientes, e sustenta que as provas — colhidas em relatórios de campo, vídeos e depoimentos de moradores e professores — reforçam a tese de desproporcionalidade e irrazoabilidade no uso da força estatal.

O relatório aponta fechamento de escolas, suspensão de aulas de 9,5 mil alunos, destruição de flutuantes e danos ambientais decorrentes das explosões. Em Manicoré, a operação teria interrompido a procissão de Nossa Senhora das Dores, feriado municipal.

A DPE sustenta que a atuação da PF fere princípios constitucionais da dignidade da pessoa humana, proporcionalidade e devido processo legal, e cita o art. 174, §3º da Constituição Federal, que impõe ao Estado o dever de organizar a atividade garimpeira em cooperativas, levando em conta a proteção ambiental e a promoção econômico-social dos garimpeiros.

A petição também menciona a Recomendação nº 25/2025 do Ministério Público Federal, segundo a qual a destruição de mais de 1.200 embarcações entre 2023 e 2024 “não foi capaz de descontinuar o fluxo criminoso”. Para a DPE, isso comprova a ineficácia da política repressiva isolada e a necessidade de soluções estruturais e sustentáveis.

O relatório Teko Porã, anexado ao processo, foi classificado como prova técnica documental com valor equivalente a laudo pericial oficial, conforme o art. 155, §1º do CPP e o art. 371 do CPC. O caso aguarda análise do relator quanto à admissibilidade dos fatos supervenientes.

No documento, os defensores sustentam que operações recentes da Polícia Federal no Rio Madeira revelam o que chamam de aporofobia ambiental — a aversão aos pobres disfarçada de política pública —, marcada pelo uso irregular de explosivos e gás lacrimogêneo em comunidades ribeirinhas.

Leia mais

TJAM: Estrutura do contrato financeiro pode, por si só, evidenciar venda casada

Venda casada pode ser reconhecida por indícios do próprio contrato, decide Turma Recursal do TJAM. A prática de venda casada pode ser reconhecida a partir...

Pornografia de vingança pode justificar prisão preventiva para proteção da vítima, indica STJ

STJ mantém prisão preventiva de investigado por divulgação de imagens íntimas e violência doméstica. A divulgação não autorizada de imagens íntimas da vítima, associada a...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

TJAM: Estrutura do contrato financeiro pode, por si só, evidenciar venda casada

Venda casada pode ser reconhecida por indícios do próprio contrato, decide Turma Recursal do TJAM. A prática de venda casada...

Pornografia de vingança pode justificar prisão preventiva para proteção da vítima, indica STJ

STJ mantém prisão preventiva de investigado por divulgação de imagens íntimas e violência doméstica. A divulgação não autorizada de imagens...

Lei cria cadastro nacional de condenados por violência contra a mulher

A Lei 15.409/26 cria o Cadastro Nacional de Pessoas Condenadas por Violência contra a Mulher (CNVM). O cadastro será um...

Mulher será indenizada após perfuração por agulha descartada irregularmente

A 8ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça de São Paulo manteve decisão da 1ª Vara de...