Avaliação eliminatória verifica a compatibilidade com o perfil profissiográfico da carreira e também considera exigências relacionadas ao porte funcional de arma de fogo.
Os candidatos que avançarem no concurso da Guarda Municipal de Manaus terão pela frente uma avaliação psicológica de caráter eliminatório.
O edital estabelece 23 características no perfil profissiográfico que servirá de referência para verificar se o candidato apresenta os requisitos psicológicos considerados compatíveis com o exercício da função. O concurso oferece 590 vagas para Técnico Municipal I – Guarda Municipal.
Na comparação apresentada com a seleção anterior, o perfil de 2026 ganhou atenção concentrada e atenção dividida entre os aspectos avaliados. O novo desenho também trabalha com parâmetros para características como ansiedade e impulsividade, inseridas em uma análise mais ampla sobre a capacidade do futuro guarda de atuar sob pressão, tomar decisões e manter controle das próprias reações.
Na prática, não se procura apenas alguém capaz de reagir rapidamente. A atividade exige atenção diante de diferentes estímulos, autonomia, equilíbrio emocional, relacionamento interpessoal, liderança e capacidade de enfrentar conflitos sem transformar rapidez em impulsividade ou autoridade em comportamento desproporcional.
Para a psicóloga Juliane Nascimento, especialista em avaliação psicológica e preparação de candidatos para concursos públicos, exigir impulsividade e ansiedade em níveis adequados não significa diminuir a importância do autocontrole. Segundo ela, determinadas situações exigem iniciativa e resposta rápida, mas o problema aparece quando se age sem reflexão ou de maneira desproporcional. A ansiedade, em nível adequado, também pode auxiliar na percepção e antecipação de riscos.
A psicóloga Letícia Soares, especialista em avaliações para concursos de segurança pública e carreiras jurídicas, observa que a dificuldade está justamente em reunir características que precisam funcionar em equilíbrio. Firmeza, tenacidade e resistência ao estresse devem coexistir com controle emocional, capacidade de comunicação e relacionamento com a população. As duas especialistas são diretoras da LJ Psicologia.
A avaliação tem peso adicional porque o perfil exigido também está relacionado à atividade armada. O futuro guarda poderá exercer porte funcional de arma de fogo, o que torna relevantes aspectos ligados ao controle emocional, julgamento, atenção e comportamento diante de situações de tensão.
O edital é claro, porém, ao estabelecer que ser considerado inapto não significa necessariamente a existência de transtorno cognitivo ou de personalidade. A inaptidão indica que o candidato não demonstrou, no momento da avaliação, os requisitos exigidos pelo perfil profissiográfico. A aptidão nessa etapa é indispensável para a matrícula no Curso de Formação.
O candidato considerado inapto poderá ainda participar de entrevista devolutiva para conhecer as razões do resultado. O edital permite que compareça acompanhado de psicólogo regularmente inscrito no Conselho Regional de Psicologia. Depois da entrevista, poderá solicitar a revisão da avaliação conforme as regras do certame. A própria norma ressalva que a devolutiva tem caráter informativo e não representa uma segunda oportunidade de realização dos testes.
As especialistas alertam ainda que avaliação psicológica não funciona como uma prova objetiva, na qual seria possível decorar respostas. Os diferentes instrumentos procuram identificar características do candidato em conjunto. A preparação, sustentam, deve servir para compreender as exigências da carreira e as próprias reações diante de pressão e conflito, e não para tentar reproduzir artificialmente um suposto perfil ideal.
A avaliação psicológica integra uma das seis etapas do concurso da Guarda Municipal, ao lado das provas objetiva e discursiva, teste de aptidão física, exames médicos, investigação social e curso de formação.
