Tribunal do Amazonas anula sentença e garante acesso à justiça em caso de Embargos de Terceiro

Tribunal do Amazonas anula sentença e garante acesso à justiça em caso de Embargos de Terceiro

O Tribunal de Justiça do Amazonas decidiu revisar uma sentença proferida pela 1ª Vara de Manacapuru, que havia indeferido uma petição inicial de Embargos de Terceiro. Contra a decisão o recorrente alegou que o magistrado determinou uma constrição de bens equivocada de seu patrimônio e pôs fim ao pedido em que pretendia provar ter celebrado um negócio válido com o casal em separação e que dividiam bens, dentre eles, uma embarcação que já era sua por direito. A solução do caso se deu com voto do Desembargador João de Jesus Abdala Simões. 

O magistrado, na origem, indeferiu a petição inicial, sob o fundamento de que a embarcação é bem que deva ter registro na Capitania dos Portos, e que o autor da impugnação não fez prova da alegação de ser o novo proprietário. Desta forma, extinguiu o processo sem julgamento do mérito. Essa foi a razão do recurso. 

O Recorrente, em petição ao TJAM,  argumentou que a discussão nos autos era sobre o direito de posse, não de propriedade, e contestou a necessidade de prova documental de transferência de domínio para configurar a legitimidade ativa dos embargos. Ele enfatizou que a lei permite a oposição de embargos de terceiro com prova sumária da posse, possibilitando ao juiz designar uma audiência preliminar em caso de dúvidas. O recurso foi assinado pela Defensora Gabriela Ferreira Gonçalves, da DPE/AM.

Em resposta, a parte apelada sustentou que a prova sumária indicava a necessidade de documentação para comprovar a posse do bem e que as embarcações, embora móveis, requeriam registro especial, como os imóveis.

O relator do caso, Desembargador João de Jesus Abdala Simões, decidiu que a comprovação por meio de registro não era necessária de acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. Além disso, ressaltou que o Código de Processo Civil permite a produção de prova da posse não apenas na petição inicial, mas também em eventual audiência preliminar.

Dessa forma, o Tribunal de Justiça do Amazonas determinou a anulação da sentença e o regular andamento do processo, respeitando os requisitos legais.

Essa decisão destaca a importância de se garantir o acesso à justiça e a efetiva solução de conflitos, especialmente em casos que envolvem peculiaridades regionais, como a realidade dos modos de vida no interior do Estado do Amazonas.

Processo: 0602603-08.2023.8.04.5400

Leia a ementa:

Apelação Cível / Busca e ApreensãoRelator(a): João de Jesus Abdala SimõesComarca: ManacapuruÓrgão julgador: Terceira Câmara CívelData do julgamento: 28/03/2024Data de publicação: 28/03/2024Ementa: APELAÇÃO CÍVEL. EMBARGOS DE TERCEIRO. DESNECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA PROPRIEDADE DO BEM. SÚMULA N. 84 DO STJ. ART. 677, §1, CPC. NECESSIDADE DE INTIMAÇÃO PRÉVIA AO INDEFERIMENTO DA INICIAL. RECURSO CONHECIDO E PARCIALMENTE PROVIDO

Leia mais

Péricles Júnior assume a Corregedoria-Geral da Defensoria do Amazonas

Com a definição, o defensor público exercerá mandato de dois anos à frente do órgão responsável pelo acompanhamento e pela fiscalização das atividades funcionais...

Justiça manda restabelecer recargas do Passe Livre Estudantil em Manaus

Justiça determinou que Sinetram retome em 24 horas após intimação as recargas do Passe Livre Estudantil em Manaus. A decisão foi obtida pela Defensoria...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Azul é condenada em Alagoas a indenizar passageiro por atraso de oito horas em voo

A Azul Linhas Aéreas deverá pagar R$ 4 mil a um passageiro que perdeu conexão após atraso no voo...

Comissão aprova fim da exigência de nome civil junto ao nome social na identidade

A Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Decreto Legislativo...

Projeto prevê alerta em equipamento eletrônico e contenção remota de agressores com medida de proteção

O Projeto de Lei 5542/26 estabelece novas regras para o monitoramento eletrônico como medida protetiva, incluindo alertas sonoros e...

Banco deve indenizar pessoa sob curatela por empréstimo consignado sem autorização

Descontos realizados no benefício previdenciário de uma pessoa submetida a curatela, sem comprovação de contratação válida de empréstimo consignado,...