Sócio de empresa não pode ser responsabilizado por falsidade sem provas de autoria da fraude

Sócio de empresa não pode ser responsabilizado por falsidade sem provas de autoria da fraude

A falsidade ideológica é uma mentira registrada em documento físico ou eletrônico, e para a configuração da intenção de fraudar, não basta uma circunstância genérica,  pois o próprio tipo penal exige que o falso se proponha a materialização de uma finalidade posterior que consista em prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante

A falsidade ideológica ocorre quando alguém mente ou omite a verdade sobre o conteúdo de um documento verdadeiro. Diferente da falsidade material, onde o documento em si é falso, a falsidade ideológica se refere à ideia ou informação errada que o documento transmite. Porém, para que no caso concreto seja possível a repressão penal, importa que o juiz observe se há provas suficientes para  a condenação. 

Isso porque quando o conjunto probatório dos autos se mostra frágil ao ponto de não criar a necessária convicção de autoria do acusado, a sua absolvição é medida que se impõe, em respeito ao princípio in dubio pro reo, dispôs o Desembargador Henrique Veiga, do TJAM, ao reformar sentença condenatória por crime de falsidade ideológica imputada aos réus recorrentes. 

A Primeira Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) reformou uma sentença condenatória relacionada a um caso de falsidade ideológica. O Desembargador Henrique Veiga destacou que, para a configuração do crime, é essencial provar não apenas a falsidade do documento, mas também a intenção de fraudar, prejudicar ou alterar a verdade sobre um fato juridicamente relevante.

No caso julgado, os réus foram inicialmente condenados por falsidade ideológica ao apresentarem um documento falso – uma certidão de licença ambiental – para participar de uma licitação pública. O documento, assinado por um agente público já aposentado há dez anos, foi inicialmente aceito, mas posteriormente descoberto como fraudulento.

No entanto, ao reformar a sentença, o Relator enfatizou que a condenação penal exige prova robusta do nexo de causalidade entre a ação do réu e o dano. A Câmara Criminal concluiu que o conjunto probatório não era suficiente para demonstrar inequivocamente a autoria dos réus. O fato de um dos réus ser sócio da empresa não foi suficiente para a condenação sem uma prova clara da relação entre sua função e o crime.

Em respeito ao princípio “in dubio pro reo” (na dúvida, a favor do réu), os Desembargadores decidiram pela absolvição dos acusados, reiterando que a responsabilidade penal não pode ser objetiva e deve estar claramente estabelecida. A decisão ressalta a importância de provas concretas para a condenação em casos de falsidade ideológica.

Apelação Criminal n.º 0604766-95.2019.8.04.0001

Leia mais

Manter ex-cônjuge em contrato de imóvel após divórcio e causar prejuízo gera dano moral

Depois do divórcio, um homem ficou com o imóvel e assumiu sozinho o financiamento, mas a instituição habitacional não retirou a ex-esposa do contrato,...

Águas de Manaus deve comprovar água nas torneiras, e não apenas no sistema, diz Justiça

Juiz  Luís Alberto Nascimento Albuquerque, do Juizado Cível, determinou bloqueio de R$ 40 mil em multas após oficial de justiça constatar que residência de...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Lula poderá nomear mais quatro ministros ao STF até o fim do quarto mandato

Lula poderá indicar quatro ministros ao STF, mas dependerá de Senado mais à direitaAposentadorias previstas até 2030 e vaga...

Flávio rejeita resultado e diz que pedirá anulação da eleição

Presidente do TSE afirma que prorrogação da votação não comprometeu a segurança do processo eleitoral. O senador Flávio Bolsonaro (PL)...

Fachin diz que vontade dos eleitores deve ser respeitada

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, declarou neste domingo (25) que a vontade manifestada pelos...

Nunes Maques diz que decisão de Zanin dificultou processo eleitoral

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, disse neste domingo (25) que a decisão do...