Sem pedido, o que uma das partes economiza com o processo não serve como cálculo de honorários, fixa STJ

Sem pedido, o que uma das partes economiza com o processo não serve como cálculo de honorários, fixa STJ

A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que o valor que uma das partes economiza ao vencer o processo — o chamado “proveito econômico negativo” — não pode servir, por si só, como base de cálculo dos honorários advocatícios sem pedido expresso e contraditório prévio.

A tese foi firmada no Recurso Especial nº 2.166.426/AM, relatado pelo ministro Marco Aurélio Bellizze, que reformou acórdão do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM). O julgamento foi publicado no Diário da Justiça Eletrônico Nacional de 20 de outubro de 2025.

TJAM aplicou critério de ofício

O caso teve origem em ação coletiva ajuizada pelo Sindicato dos Escrivães e Investigadores da Polícia Civil do Amazonas (SINDEIPOL/AM), julgada improcedente. O Estado do Amazonas, parte vencedora, recorreu apenas para majorar o valor fixo de R$ 500,00 arbitrado como honorários de sucumbência.

O TJAM, entretanto, mudou o critério de cálculo de ofício, determinando que os honorários incidissem sobre o proveito econômico obtido pelo Estado — isto é, a quantia que ele deixou de pagar aos servidores com a derrota do sindicato.

Bellizze: tribunal não pode inovar sem pedido nem contraditório

Ao analisar o caso, o ministro Marco Aurélio Bellizze concluiu que a decisão do TJAM violou os arts. 141, 492, 9º e 10 do Código de Processo Civil, por julgar além do pedido e sem prévia oitiva das partes.

“O acórdão recorrido, ao alterar o critério de fixação dos honorários, concluiu pela condenação com base no proveito econômico, emitindo provimento jurisdicional não postulado por nenhuma das partes”, afirmou o relator.

O ministro destacou que, embora o proveito econômico do vencedor possa ser um dos parâmetros previstos no art. 85, §2º, do CPC, sua adoção exige pedido expresso e contraditório efetivo — não podendo o tribunal impor de ofício critério diverso do utilizado na sentença.

Decisão reconhece nulidade e determina novo julgamento

Com base nessa compreensão, o STJ deu provimento ao recurso especial do sindicato dos servidores, reconhecendo nulidade parcial do acórdão do TJAM e determinando o rejulgamento da apelação nos limites do pedido formulado pelo Estado — isto é, apenas sobre a majoração do valor fixo dos honorários, sem alteração da base de cálculo.

Tese reafirmada

O que uma das partes economiza com o processo pode configurar proveito econômico, mas não serve como base de cálculo de honorários sem pedido expresso ou contraditório. A alteração de ofício do critério de fixação configura julgamento extra petita e nulidade do acórdão.

Processo: REsp 2.166.426/AM

Leia mais

Cármen Lúcia aponta questionamento tardio da defesa no Caso Fred e rejeita recurso de condenados

Ministra destaca intervalo de 12 anos sem contestação das irregularidades da instrução; decisão mantém penas de 33 anos e sete meses de prisão para...

STF barra pedido de aluguel social para famílias removidas pela Prefeitura de Manaus

Nunes Marques considera inadequada a via utilizada pela Defensoria e entende que ocupação recente não está abrangida pelas medidas invocadas na ADPF 828. O ministro...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Fachin homologa delação de investigado no caso Master

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, decidiu nesta sexta-feira (6) homologar a delação premiada do...

Justiça Federal rejeita ação de improbidade contra Bolsonaro

A Justiça Federal decidiu rejeitar na quinta-feira (5) uma ação de improbidade administrativa protocolada pelo Ministério Público Federal (MPF)...

Justiça Eleitoral terá atendimento remoto em Libras

Pessoas surdas ou com deficiência auditiva poderão contar com intérpretes de Língua Brasileira de Sinais (Libras) durante o atendimento...

Advogada é condenada a retirar publicação nas redes sociais que incentivava demissões por convicção política

A 1ª Vara do Trabalho de Cachoeiro de Itapemirim, no Espírito Santo, determinou que uma advogada retire de suas redes...