Justiça equipara AADESAM ao Sistema S e livra agência de contribuições federais

Justiça equipara AADESAM ao Sistema S e livra agência de contribuições federais

A Justiça Federal no Amazonas reconheceu que a Agência Amazonense de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental (AADESAM) deve receber o mesmo tratamento tributário concedido às entidades do Sistema S e determinou que a União deixe de exigir da instituição o recolhimento de contribuições federais, além de restituir os valores pagos indevidamente nos últimos cinco anos.

A decisão é da juíza federal Jaiza Maria Pinto Fraxe, da 1ª Vara Federal Cível da Seção Judiciária da Justiça Federal/AM.

A magistrada concluiu que a AADESAM, criada por lei estadual como serviço social autônomo, possui natureza jurídica e finalidade pública equivalentes às entidades do Sistema S, razão pela qual faz jus ao regime de imunidade e ampla desoneração tributária previsto na legislação federal.

Para a juíza, a própria lei de criação da agência reconhece seu caráter assistencial e de interesse coletivo, tornando desnecessária a apresentação do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS), exigido pela Fazenda Nacional.

Na ação, a AADESAM sustentou que vinha sendo obrigada a recolher contribuições previdenciárias patronais, PIS e contribuições destinadas a terceiros, apesar de desempenhar atividades voltadas ao desenvolvimento econômico, social e ambiental do Amazonas em cooperação com o poder público. A agência também questionou inscrições em dívida ativa decorrentes dessas cobranças e pediu a declaração de inexistência da relação jurídico-tributária.

Ao analisar o caso, a juíza rejeitou a tese da União de que a entidade somente poderia usufruir da imunidade mediante obtenção do CEBAS. Segundo a sentença, a jurisprudência consolidada reconhece que os serviços sociais autônomos instituídos por lei específica possuem tratamento diferenciado e não dependem dessa certificação administrativa para usufruir da imunidade tributária. A decisão também menciona parecer da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional reconhecendo esse entendimento.

Com isso, a Justiça declarou inexigíveis a Contribuição Previdenciária Patronal (CPP), inclusive sobre empregados, contribuintes individuais e GILRAT, a contribuição ao PIS e as contribuições destinadas ao SESC, ao Salário-Educação e ao INCRA. A sentença também determinou a anulação das inscrições em dívida ativa, o cancelamento das cobranças administrativas e a manutenção da regularidade fiscal da agência.

Outro ponto relevante da decisão foi a condenação da União à restituição dos tributos recolhidos indevidamente nos cinco anos anteriores ao ajuizamento da ação. Os valores serão apurados na fase de liquidação da sentença e atualizados pela taxa Selic. Durante o processo, a AADESAM informou que apenas uma guia de recolhimento referente à competência de março de 2026 totalizava R$ 3.576.911,58, indicando o elevado impacto financeiro da controvérsia.

Na sentença, a juíza confirmou ainda a tutela de urgência anteriormente concedida, mantendo suspensa a exigibilidade dos créditos tributários discutidos e garantindo à entidade a emissão de certidão de regularidade fiscal enquanto perdurar a discussão judicial. A decisão ainda pode ser objeto de recurso pelas partes.

Leia mais

Péricles Júnior assume a Corregedoria-Geral da Defensoria do Amazonas

Com a definição, o defensor público exercerá mandato de dois anos à frente do órgão responsável pelo acompanhamento e pela fiscalização das atividades funcionais...

Justiça manda restabelecer recargas do Passe Livre Estudantil em Manaus

Justiça determinou que Sinetram retome em 24 horas após intimação as recargas do Passe Livre Estudantil em Manaus. A decisão foi obtida pela Defensoria...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Azul é condenada em Alagoas a indenizar passageiro por atraso de oito horas em voo

A Azul Linhas Aéreas deverá pagar R$ 4 mil a um passageiro que perdeu conexão após atraso no voo...

Comissão aprova fim da exigência de nome civil junto ao nome social na identidade

A Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Decreto Legislativo...

Projeto prevê alerta em equipamento eletrônico e contenção remota de agressores com medida de proteção

O Projeto de Lei 5542/26 estabelece novas regras para o monitoramento eletrônico como medida protetiva, incluindo alertas sonoros e...

Banco deve indenizar pessoa sob curatela por empréstimo consignado sem autorização

Descontos realizados no benefício previdenciário de uma pessoa submetida a curatela, sem comprovação de contratação válida de empréstimo consignado,...