Justiça condena Securitizadora a indenizar em R$ 8 mil por negativação indevida no Amazonas

Justiça condena Securitizadora a indenizar em R$ 8 mil por negativação indevida no Amazonas

Com decisão do Juiz de Direito Jaime Artur Santoro Loureiro, o 4º Juizado Cível de Manaus definiu que a empresa cuja atividade resulte em cobranças que findem levando o nome da pessoa à negativação deve contar com provas robustas do débito, sob pena de a inscrição indevida ofender direitos de personalidade. Com essa razão de decidir a Ativos Securitizadora de Créditos foi condenada ao pagamento de indenização por danos  morais fixados em R$ 8 mil. 

Negativação de indevida e ausência de provas da dívida
No caso concreto o autor ponderou em seu pedido inaugural pea inexistência de qualquer vínculo contratual com a empresa e alegou que a inscrição de uma dívida, em seu nome, no valor R$ 507,56 foi irregular, até porque não foi previamente notificado do débito. 

No cenário financeiro atual, as securitizadoras desempenham um papel essencial ao facilitar a negociação de dívidas e promover a liquidez imediata para empresas diversas. Em sua defesa, a securitizadora opôs que se beneficiou com uma cessão de crédito oriunda do Tribanco S/A. Ocorre que, durante a sentença, Artur Santoro entendeu que a alegação era vazia, pois a empresa não demonstrou justa causa para a negativação do nome do autor. 

O magistrado ressaltou que, no âmbito das relações de consumo, a responsabilidade do fornecedor é objetiva, conforme previsto no Código de Defesa do Consumidor (CDC) , concluindo por abusiva a negativação nos moldes delineados nos autos. 

Dano moral presumido e valor da indenização
Na decisão, o juiz destacou que a inclusão indevida do nome do consumidor em cadastros restritivos gera dano moral in re ipsa, e que, no caso, o autor passou por angústia e preocupação que ultrapassaram os limites do mero aborrecimento. 

Levando em consideração a capacidade econômica da  empresa, a extensão do dano e o efeito pedagógico do ilícito, o magistrado fixou a indenização em R$ 8 mil , acrescida de correção monetária e juros.

Decisão e fundamentos jurídicos
Na sentença, o magistrado rejeitou as alegações preliminares da empresa ré, incluindo a carência da ação por falta de tentativa de solução administrativa e o indeferimento da gratuidade judiciária. O juiz entendeu que a ausência de tentativa prévia de resolução da demanda não impedia o acesso ao Judiciário , especialmente em causa de natureza consumerista, face a hipossuficiência da parte autora que restou comprovada.

Por fim, o juiz destacou que a responsabilidade pela notificação prévia da inscrição é do órgão mantenedor do cadastro de inadimplentes, e não da empresa credora, conforme entendimento consolidado na Súmula 359 do Superior Tribunal de Justiça (STJ) .

Com isso, a decisão declarou inexistente em nome do autor o débito no valor de R$ 507,56 e determinou a exclusão da restrição cadastral e condenou  a Ativos SA ao pagamento de R$ 8 mil por danos morais .

A sentença transitou sem imposição de custos e honorários advocatícios, nos termos do artigo 55 da Lei 9.099/95 , que rege os Juizados Especiais Cíveis. Cabe recurso da decisão. 

Processo: 0111308-26.2024.8.04.1000

 

Leia mais

Erro no valor da aposentadoria: Justiça reconhece direito do segurado à correção

A Justiça Federal no Amazonas decidiu que o INSS deve revisar o valor de uma aposentadoria por idade ao reconhecer erro material no cálculo...

Plataforma de IA do TJAM passa a bloquear comandos ocultos em petições processuais

O Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) reforçou a segurança da plataforma de Inteligência Artificial “Arandu GPT”, utilizada por magistrados e servidores, com mecanismos...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Erro no valor da aposentadoria: Justiça reconhece direito do segurado à correção

A Justiça Federal no Amazonas decidiu que o INSS deve revisar o valor de uma aposentadoria por idade ao...

Ministério Público de São Paulo pede prisão do rapper Oruam

O Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) pediu a prisão preventiva do rapper Mauro Davi dos Santos...

Auditoria do STF pode preservar parte dos retroativos de magistrados e promotores

Retroativos de ATS, PAE e diferenças de subsídio podem sobreviver à auditoria do STF, indica documento enviado por CNJ...

Câmara aprova aumento de penas para crimes sexuais contra crianças e adolescentes

A Câmara dos Deputados aprovou projeto de lei que aumenta as penas para vários crimes de natureza sexual previstos...