Justiça condena 99 a indenizar passageiro perseguido e ameaçado por motociclista

Justiça condena 99 a indenizar passageiro perseguido e ameaçado por motociclista

Sentença do Juiz  Victor André Liuzzi Gomes, da Vara Cível de Manaus,  condenou a empresa 99 Tecnologia Ltda, a pagar R$ 5 mil a título de danos morais a  passageiro que relatou ter sido perseguido e ameaçado por um motorista cadastrado no aplicativo após divergência sobre forma de pagamento em corrida na modalidade 99 Moto.

 O caso

Segundo a inicial, em 27 de abril de 2024, o autor solicitou corrida via aplicativo e informou que pagaria com cartão de crédito. O motorista pediu que a transação fosse em dinheiro e, diante da negativa, teria se alterado, proferido xingamentos e deixado o local sem cancelar a viagem. Temendo cobrança indevida, o passageiro registrou imagens do momento.

Momentos depois, percebendo a filmagem, o condutor retornou, passou a persegui-lo até dentro de uma igreja e o ameaçou, gerando tumulto entre os presentes. Somente após o episódio o motorista cancelou a corrida, sob alegação de “área de risco”

Defesa e preliminares

A empresa contestou, alegando ilegitimidade passiva por atuar apenas como intermediadora tecnológica, sem vínculo empregatício com os motoristas cadastrados. Também impugnou a gratuidade de justiça concedida ao autor e sustentou que o episódio não ultrapassaria mero aborrecimento.

O juiz rejeitou as preliminares. Reconheceu que a relação é de consumo, com responsabilidade objetiva da plataforma pelos atos de seus motoristas, aplicando os arts. 7º, parágrafo único, e 14 do CDC. Manteve ainda o benefício da justiça gratuita, ao verificar ausência de prova concreta da capacidade financeira do autor

 Para o magistrado, as provas apresentadas – boletim de ocorrência, conversas com o suporte e e-mails da central de segurança da 99 – conferiram verossimilhança à versão do passageiro. Destacou que a empresa chegou a bloquear o motorista após relato do usuário.

O julgador ressaltou que a conduta do motociclista, ao proferir ameaças e perseguir a vítima “ultrapassa em muito o mero dissabor cotidiano”, afetando a dignidade e a integridade psíquica do consumidor, especialmente por ter ocorrido em ambiente religioso, onde se espera tranquilidade

Processo n. 0504246-54.2024.8.04.0001

Leia mais

Sem prova de tratamento indispensável, cancelamento de plano coletivo não admite reativação

Plano coletivo pode ser cancelado sem autorização do consumidor, decide Justiça do Amazonas. A rescisão unilateral de contrato coletivo de plano de saúde é válida...

Ser chamado de “burro” em conversa de WhatsApp não gera dano moral

A responsabilidade civil pressupõe a presença concomitante de conduta ilícita, dano e nexo causal, conforme previsto em lei. Segundo a sentença, no caso concreto,...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Justiça mantém indenização à vítima de violência doméstica por perda de bebê

A 3ª Turma Criminal do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) manteve a condenação de...

Ex-vendedora será indenizada por críticas à aparência em loja de luxo

A Justiça do Trabalho condenou uma loja da capital a pagar indenização de R$ 3 mil por danos morais a...

Justiça do Paraná reduz pena de homem que ateou fogo na companheira

Uma decisão do Tribunal de Justiça do Paraná acolheu o pedido da defesa de José Rodrigo Bandura e mudou...

Sem prova de tratamento indispensável, cancelamento de plano coletivo não admite reativação

Plano coletivo pode ser cancelado sem autorização do consumidor, decide Justiça do Amazonas. A rescisão unilateral de contrato coletivo de...