Erro na contagem do prazo recursal permite reabertura de apelação

Erro na contagem do prazo recursal permite reabertura de apelação

Tribunal reconheceu que suspensão dos prazos processuais havia sido desconsiderada e anulou acórdão que considerava recurso intempestivo.

O Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) reconheceu que um equívoco na contagem do prazo recursal impediu, indevidamente, o exame de uma apelação e determinou a reabertura do julgamento.

A Segunda Turma acolheu embargos de declaração para corrigir erro de premissa fática, afastar a intempestividade anteriormente reconhecida e analisar o recurso, reforçando o entendimento de que falhas na verificação dos prazos processuais não podem impedir o acesso ao julgamento do mérito.

O caso teve origem em mandado de segurança no qual servidores aposentados e pensionistas buscavam a revisão de proventos. Em julgamento anterior, o Tribunal havia deixado de conhecer da apelação por entender que ela fora apresentada fora do prazo legal.

Nos embargos de declaração, entretanto, os recorrentes demonstraram que o juízo de origem havia suspendido os prazos processuais em razão de inspeção ordinária, circunstância prevista em portaria da própria vara federal e não considerada no julgamento anterior.

Ao reexaminar os autos, o relator verificou que, diante da suspensão dos prazos e do fato correspondentes aos dias indicados terem recaído em fim de semana, o prazo para interposição da apelação começou a correr posteriormente, encerrando-se em data diversa, exatamente aquela em que o recurso foi protocolado. Com isso, concluiu que a apelação era tempestiva e que o acórdão anterior se baseou em premissa fática incompatível com os documentos constantes do processo.

A decisão também destacou o entendimento consolidado pelo Superior Tribunal de Justiça segundo o qual a alteração promovida pela Lei nº 14.939/2024 permite superar vícios formais relacionados à comprovação de suspensão de prazos quando essa informação já consta do próprio processo eletrônico, privilegiando o princípio da primazia do julgamento do mérito. Com esse fundamento, os embargos de declaração foram acolhidos com efeitos modificativos para restabelecer o processamento da apelação.

Superada a discussão sobre a tempestividade, o TRF1 passou ao exame do mérito do recurso, mas manteve a sentença que havia negado o pedido dos servidores.

A Turma aplicou a jurisprudência consolidada do Supremo Tribunal Federal segundo a qual não existe direito adquirido a regime jurídico ou à fórmula de cálculo da remuneração dos servidores públicos, desde que preservada a irredutibilidade nominal dos vencimentos.

Assim, embora tenha reconhecido que a apelação foi interposta dentro do prazo legal, o Tribunal concluiu que a pretensão de vincular automaticamente vantagens incorporadas às reestruturações posteriores da carreira não encontra respaldo na jurisprudência da Corte Suprema.

Processo 0027807-79.2009.4.01.3600

Leia mais

TJAM concede liminar em habeas corpus e suspende busca contra Maria do Carmo

O TJAM suspendeu mandado expedido em investigação sobre vídeo com imagem da filha adolescente de Omar Aziz.  Desembargadora Onilza Abreu Gerth considerou que a...

MPF pede suspensão de projeto de carbono em Carauari; empresa contesta acusações

Procuradoria pede suspensão do Mejuruá e indenização de R$ 6 milhões por supostas violações; BR Arbo contesta acusações e aponta prejuízos de eventual paralisação. Um...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

TJAM concede liminar em habeas corpus e suspende busca contra Maria do Carmo

O TJAM suspendeu mandado expedido em investigação sobre vídeo com imagem da filha adolescente de Omar Aziz.  Desembargadora Onilza...

Projeto deixa explícito que imprudência do segurado não impede pagamento de seguro de vida

O Projeto de Lei 3353/26 deixa expresso na legislação que a seguradora não poderá negar o pagamento de indenização...

Comissão aprova inclusão expressa de casais homoafetivos na Lei Maria da Penha

A Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 891/25,...

Golpe do falso advogado termina em ação judicial após transferência de valores via Pix

A Justiça de Santa Catarina, por meio do 3º Juizado Especial Cível de Joinville julgou uma ação de indenização decorrente...