Em Humaitá, Justiça adota nova sistemática relativa à remição de pena pelo trabalho no semiaberto

Em Humaitá, Justiça adota nova sistemática relativa à remição de pena pelo trabalho no semiaberto

O juiz Diego Brum Legaspe Barbosa, titular da 1.ª Vara da Comarca de Humaitá (distante 701 quilômetros de Manaus) instituiu uma nova sistemática de cumprimento de pena aos reeducandos do regime semiaberto na cidade visando a incentivar o trabalho lícito e a remição de pena. Pelo novo regramento, empreendedores da cidade disponibilizam vagas de trabalho e cursos profissionalizantes a presos do semiaberto, os quais poderão abater a pena via critério legal de remição.

O projeto – denominado “Trabalho Aberto – tem a parceria do Ministério Público do Estado do Amazonas (MPE/AM), representado pelo promotor de Justiça Weslei Machado, da 1.ª Promotoria de Justiça do município; da Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE/AM); e da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) local. No último dia 15, marcando o início de sua implantação, o juiz Diego homologou os primeiros acordos de Execução Penal para remição de pena na nova sistemática, em favor de dois reeducandos, conforme previsão contida no artigo n.º 126, da Lei de Execuções Penais (LEP).

A homolocação ocorreu no fórum do Município, em reunião da qual participaram o promotor de Justiça Weslei Machado; o defensor público Newton Ramos Cordeiro de Lucena; o diretor da Unidade Prisional do município, Deivison Gonçalves das Chagas; os representantes da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Euclides Sobri Júnior Soder e Tsad Dálet Magalhães; a representante jurídica da Construtora Nogueira Ltda, Glaiciane da Silva Lima; o advogado Rony Moreira Botelho e os dois reeducandos do regime semiaberto.

“Com a sistemática implementada, o preso poderá aprender uma nova profissão, ou ao menos aperfeiçoá-la, aumentando as chances de ser absorvido pelo mercado de trabalho ao final do cumprimento de sua pena. O novo regramento substititui o anterior, o qual consistia basicamente no dever de o preso se dirigir diariamente até a unidade prisional para assinar a frequência, o que não traz benefício algum para a sociedade, e muito menos para o preso”, afirmou o juiz Diego.

O juiz Diego frisou a medida é salutar e vantajosa não apenas para a máquina estatal e sociedade, mas também ao reeducando. “Nessa reunião dois acordos foram celebrados, mas seu conteúdo tende a ser replicado a vários outros casos que se enquadram em idêntica situação. Dessa forma, o projeto idealizado pelo Juízo da 1ª Vara buscou canalizar os potenciais dos diversos setores da sociedade, para que haja uma soma de esforços tendente a solucionar as grandes dificuldades de outros setores, de modo que um acabe suprindo os déficits do outro. O projeto concretiza, no melhor sentido possível, o brocardo popular de que ‘uma mão lava a outra’”, destaca o titular da comarca.

Estímulo

O promotor Weslei Machado chama a atenção para o fato de que o trabalho realizado pelos apenados será regido pelas regras da Lei de Execução Penal, de modo que não enseja o conjunto de encargos trabalhistas inerentes à CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), o que estimula a iniciativa privada a investir na ressocialização do preso.

O presidente da CDL, Euclides Dobri Júnior, já ressaltou que Humaitá registra expansão comercial e industrial muito forte, mas com grande dificuldade de encontrar mão de obra qualificada.

Serviço de contenção

Em decisão proferida em 26 de outubro do ano passado, o juiz Diego Brum Legaspe Barbosa determinou que 14 apenados dos regimes fechado e semiaberto atuassem nos serviços de contenção da orla do Município de Humaitá, com a supervisão da atividade sendo realizada pela Guarda Civil Municipal.

A decisão acatou um requerimento da Prefeitura Municipal de Humaitá, protocolado inicialmente perante o Ministério Público do Estado do Amazonas (MPE/AM) e no qual os apenados deveriam ser remunerados pelo serviço, nos termos da legislação brasileira.

Fonte: Asscom TJAM

Leia mais

Águas de Manaus indenizará idosa que fraturou punho em buraco aberto pela concessionária

Sentença do Juiz José Renier da Silva Guimarães, da 5ª Vara Cível de Manaus,  concluiu que irregularidade deixada na calçada após fiscalização foi determinante...

Primeira promotora trans do Brasil toma posse no MPAM nesta sexta-feira (31)

A primeira promotora de Justiça trans do Brasil tomará posse nesta sexta-feira (31), em Manaus. O ato ocorrerá durante a cerimônia de posse de...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Projeto consolida regras rígidas de prisão para condenados por crimes graves

O Projeto de Lei 1944/26 consolida critérios mais rigorosos para que presos condenados por crimes graves mudem de regime...

Projeto de lei cria o “Setembro Dourado” para alertar sobre o câncer em crianças e adolescentes

O Projeto de Lei 5430/25 cria a campanha Setembro Dourado para informar a população sobre o câncer em crianças...

Advogado é condenado após IA detectar comando oculto para influenciar decisão de recurso

Um advogado de Salvador (BA) foi condenado ao pagamento de multa por litigância de má-fé, fixada em 10% sobre...

Empresa deve indenizar por usar nome de concorrente em pesquisa patrocinada

Ligar a própria marca ao nome de outra empresa nas buscas patrocinadas do Google (Google Ads), gerando destaque aos...