Abordagem sem vícios: atuação da PRF em trecho urbano de rodovia federal não configura ilegalidade

Abordagem sem vícios: atuação da PRF em trecho urbano de rodovia federal não configura ilegalidade

A atuação da Polícia Rodoviária Federal em trecho urbano de rodovia federal, quando baseada em indícios objetivos de irregularidade, configura exercício legítimo do poder de polícia administrativa e não se confunde com busca de natureza penal.

Com esse entendimento, a Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça rejeitou agravo regimental interposto em habeas corpus que buscava anular abordagem veicular realizada por agentes da PRF.

O caso teve origem em abordagem feita por policiais rodoviários federais em perímetro urbano de rodovia federal. A defesa sustentou a nulidade da atuação, sob o argumento de que os agentes teriam extrapolado sua competência e realizado busca penal sem amparo legal, tese posteriormente utilizada como fundamento de revisão criminal e, em seguida, de habeas corpus.

Ao analisar o caso, o STJ destacou que a atuação da Polícia Rodoviária Federal, nessas circunstâncias, encontra respaldo no art. 144, §2º, da Constituição Federal e no art. 20 do Código de Trânsito Brasileiro. Segundo o colegiado, o fato de a rodovia atravessar área urbana não descaracteriza a competência da PRF para fiscalizar, inspecionar veículos e adotar providências administrativas voltadas à segurança viária.

O Tribunal também afastou a alegação de ilegalidade ao esclarecer que a medida adotada pelos agentes não teve natureza de busca penal, mas de inspeção administrativa, realizada diante de fundadas razões e indícios objetivos de irregularidade. Nessas hipóteses, não se exige o mesmo grau de justificativa aplicável às buscas típicas do processo penal.

Além disso, a Quinta Turma observou que a nulidade da abordagem sequer foi arguida nos momentos processuais adequados. A tese defensiva permaneceu ausente durante a instrução criminal e na fase recursal ordinária, tendo sido levantada apenas em sede de revisão criminal, o que caracterizou a chamada nulidade de algibeira, sujeita à preclusão temporal.

Para o colegiado, permitir a rediscussão da legalidade da abordagem nesse estágio equivaleria a admitir o uso do habeas corpus como sucedâneo de revisão criminal, hipótese vedada pela jurisprudência do Tribunal, salvo em situações de ilegalidade flagrante — o que não se verificou no caso concreto.

Com isso, a Quinta Turma concluiu inexistir constrangimento ilegal a ser sanado e, por unanimidade, negou provimento ao agravo regimental, mantendo íntegra a decisão que reconheceu a legitimidade da atuação da PRF e a preclusão da tese defensiva.

AgRg no HC 1056909

Leia mais

Cármen Lúcia aponta questionamento tardio da defesa no Caso Fred e rejeita recurso de condenados

Ministra destaca intervalo de 12 anos sem contestação das irregularidades da instrução; decisão mantém penas de 33 anos e sete meses de prisão para...

STF barra pedido de aluguel social para famílias removidas pela Prefeitura de Manaus

Nunes Marques considera inadequada a via utilizada pela Defensoria e entende que ocupação recente não está abrangida pelas medidas invocadas na ADPF 828. O ministro...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Fachin homologa delação de investigado no caso Master

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, decidiu nesta sexta-feira (6) homologar a delação premiada do...

Justiça Federal rejeita ação de improbidade contra Bolsonaro

A Justiça Federal decidiu rejeitar na quinta-feira (5) uma ação de improbidade administrativa protocolada pelo Ministério Público Federal (MPF)...

Justiça Eleitoral terá atendimento remoto em Libras

Pessoas surdas ou com deficiência auditiva poderão contar com intérpretes de Língua Brasileira de Sinais (Libras) durante o atendimento...

Advogada é condenada a retirar publicação nas redes sociais que incentivava demissões por convicção política

A 1ª Vara do Trabalho de Cachoeiro de Itapemirim, no Espírito Santo, determinou que uma advogada retire de suas redes...