TJMG condena hospital por falha no acompanhamento oftalmológico de recém-nascido

TJMG condena hospital por falha no acompanhamento oftalmológico de recém-nascido

A 13ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) confirmou a condenação de hospital de Montes Claros pelo atendimento prestado a um recém-nascido prematuro que desenvolveu cegueira bilateral permanente. Para o colegiado, o fato de os profissionais de saúde não terem solicitado o exame de mapeamento de retina no período recomendado privou a criança de uma chance de tratamento eficaz.

A decisão manteve indenização de R$ 100 mil por danos morais e pensão vitalícia equivalente a um salário mínimo para o menino, a ser paga a partir dos 14 anos. Os desembargadores determinaram, ainda, que a seguradora também arque com o pagamento da indenização, dentro dos limites previstos na apólice, e que reserve verbas financeiras para garantir o pagamento da pensão.

Atendimento

A criança nasceu prematura e permaneceu internada durante o período neonatal. De acordo com laudo pericial, embora os cuidados adotados para manutenção da vida do recém-nascido tenham sido adequados, houve falha especificamente na ausência de solicitação do mapeamento de retina.

Segundo a perícia, a literatura médica recomenda a realização do exame entre a quarta e a sexta semana de vida. No caso, o exame só foi pedido durante uma segunda internação, entre a sétima e a oitava semana.

O laudo concluiu que o diagnóstico precoce, seguido do tratamento adequado, poderia ter evitado, contido ou revertido a doença. Para o relator, desembargador José de Carvalho Barbosa, a ausência do acompanhamento oftalmológico no período indicado retirou do bebê uma possibilidade real de tratamento eficaz.

Indenização

O hospital e a seguradora haviam recorrido da sentença, alegando, entre outros pontos, que a retinopatia da prematuridade estava relacionada às próprias condições clínicas do nascimento e que não havia comprovação de que a conduta adotada pela equipe do estabelecimento tivesse causado o resultado.

Os argumentos não foram acolhidos. O relator destacou que a responsabilidade pela doença não decorre da origem da retinopatia, associada à prematuridade, mas da falha no rastreamento e no diagnóstico precoce, que privou a criança de uma chance concreta de tratamento.

O valor de R$ 100 mil por danos morais, definido na sentença, foi considerado proporcional à gravidade e à extensão do dano. A pensão vitalícia de um salário mínimo também foi mantida, considerando a redução permanente da capacidade de trabalho pela cegueira bilateral.

Recurso provido

O recurso apresentado pela criança, representada pela mãe, foi parcialmente acolhido. O TJMG determinou que a seguradora também responda pela indenização, dentro dos limites do contrato, e que seja garantido o pagamento da pensão. Os recursos do hospital e da seguradora, que pediam a redução da indenização e a dispensa do pagamento da pensão, foram negados.

Também participaram do julgamento os desembargadores Newton Teixeira Carvalho e Lúcio Eduardo de Brito, que acompanharam o voto do relator.

O processo tramita sob o número 5014983-09.2021.8.13.0433

Com informações do TJ-MG

Leia mais

Péricles Júnior assume a Corregedoria-Geral da Defensoria do Amazonas

Com a definição, o defensor público exercerá mandato de dois anos à frente do órgão responsável pelo acompanhamento e pela fiscalização das atividades funcionais...

Justiça manda restabelecer recargas do Passe Livre Estudantil em Manaus

Justiça determinou que Sinetram retome em 24 horas após intimação as recargas do Passe Livre Estudantil em Manaus. A decisão foi obtida pela Defensoria...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Azul é condenada em Alagoas a indenizar passageiro por atraso de oito horas em voo

A Azul Linhas Aéreas deverá pagar R$ 4 mil a um passageiro que perdeu conexão após atraso no voo...

Comissão aprova fim da exigência de nome civil junto ao nome social na identidade

A Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Decreto Legislativo...

Projeto prevê alerta em equipamento eletrônico e contenção remota de agressores com medida de proteção

O Projeto de Lei 5542/26 estabelece novas regras para o monitoramento eletrônico como medida protetiva, incluindo alertas sonoros e...

Banco deve indenizar pessoa sob curatela por empréstimo consignado sem autorização

Descontos realizados no benefício previdenciário de uma pessoa submetida a curatela, sem comprovação de contratação válida de empréstimo consignado,...