STJ mantém prisão de acusado que mudou de endereço sem avisar e não foi localizado pela Justiça

STJ mantém prisão de acusado que mudou de endereço sem avisar e não foi localizado pela Justiça

O Superior Tribunal de Justiça manteve a prisão preventiva de um acusado em Minas Gerais ao entender que o descumprimento de medida cautelar — especialmente a ausência de comunicação de mudança de endereço — pode justificar a decretação da custódia para assegurar o andamento do processo.

A decisão, do ministro Ribeiro Dantas, envolve o caso de acusado que havia obtido liberdade provisória após prisão em flagrante, condicionada ao cumprimento de medidas como comparecimento aos atos do processo e obrigação de informar eventual mudança de endereço ao juízo.

O ponto central do caso não está na gravidade dos crimes imputados, mas no comportamento processual do acusado. Após o oferecimento da denúncia, a Justiça tentou localizá-lo no endereço fornecido, sem sucesso. Diante disso, foi determinada a citação por edital, e o Ministério Público pediu a suspensão do processo e a decretação da prisão preventiva.

Embora o juiz de primeira instância tenha negado a prisão, o tribunal local reformou a decisão e decretou a custódia. Para o STJ, essa medida encontra respaldo na jurisprudência consolidada: quando o réu descumpre condições impostas para permanecer em liberdade — como manter endereço atualizado — e não é localizado, surge um risco concreto à aplicação da lei penal.

Na prática, o tribunal tratou a não localização como mais do que uma simples dificuldade de citação. A leitura foi de que o comportamento indica evasão ou, no mínimo, inviabiliza o regular andamento do processo, justificando a prisão como forma de garantir que o acusado responda aos atos da ação penal.

Outro ponto relevante da decisão é a reafirmação de um entendimento já sedimentado: o habeas corpus não pode ser usado como substituto de recurso próprio. Ainda assim, o STJ analisou o caso para verificar eventual ilegalidade flagrante — o que não foi constatado.

O relator também destacou que o descumprimento de medidas cautelares não é um detalhe processual menor. Ao contrário, ele pode, por si só, justificar a adoção de medida mais gravosa, como a prisão preventiva, especialmente quando demonstra que medidas menos severas não foram suficientes.

No fundo, a decisão reforça uma lógica simples, mas muitas vezes subestimada no processo penal: a liberdade provisória vem acompanhada de deveres. Quando esses deveres são ignorados, o sistema reage — e a resposta pode ser a restrição da própria liberdade.

Para além do caso concreto, o recado é direto: manter o juízo informado e cumprir as condições impostas não é formalidade. É condição para permanecer em liberdade.

HC 1067432

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