STF: Flávio Dino diz que crimes da trama golpista não podem ser anistiados

STF: Flávio Dino diz que crimes da trama golpista não podem ser anistiados

No julgamento em que o Supremo Tribunal Federal analisa a responsabilidade do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de outros sete réus pela trama golpista de 2022, o ministro Flávio Dino foi o segundo a votar nesta terça-feira (9/9).

Logo no início de sua manifestação, Dino destacou que os crimes imputados pela Procuradoria-Geral da República não podem ser objeto de perdão estatal. Ele lembrou que o próprio STF, ao derrubar o indulto concedido por Bolsonaro ao ex-deputado Daniel Silveira, já havia consolidado entendimento no sentido da impossibilidade de anistia para delitos contra o Estado Democrático de Direito.

“Esses tipos penais são insuscetíveis de anistia, de modo inequívoco. Jamais houve anistia em proveito de quem exercia o poder dominante”, afirmou o ministro, citando precedentes do plenário.

Crimes distintos e função preventiva do Direito Penal

Dino também rejeitou a tese das defesas de que o crime de golpe de Estado absorveria o de abolição violenta do Estado Democrático de Direito. Para ele, tratam-se de condutas autônomas, com gravidades próprias.

“Não se pode admitir que um crime absorva o outro, como se houvesse irrelevância penal. São condutas diversas, ambas merecendo resposta do ordenamento”, pontuou.

Em sua fala, o ministro ressaltou ainda que o julgamento não se dirige às Forças Armadas, mas ao conjunto dos réus. Relembrou, contudo, que a função preventiva do Direito Penal deve servir de alerta: “Não é normal que a cada vinte anos tenhamos tentativas de ruptura do tecido constitucional”, disse.

Reflexão institucional

Dino encerrou o intróito de seu voto defendendo que o processo também funcione como reflexão para todas as instituições de Estado, no sentido de se manterem apartidárias e isentas, evitando repetições de episódios semelhantes.

O julgamento, iniciado com o voto do relator Alexandre de Moraes pela condenação de todos os acusados, segue ao longo da semana com as manifestações dos demais ministros.

Leia mais

Academia responde por furto em estacionamento mesmo quando criminosos usam dispositivo eletrônico

  A disponibilização de estacionamento aos clientes gera para a empresa o dever de guarda e vigilância dos veículos e pertences ali deixados. Com esse entendimento,...

Pagamentos sem comprovação de serviço afastam tese de mera falha formal em ação de improbidade

Mesmo após as mudanças promovidas pela Lei nº 14.230/2021 na Lei de Improbidade Administrativa, a Justiça do Amazonas entendeu que pagamentos públicos realizados sem...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Academia responde por furto em estacionamento mesmo quando criminosos usam dispositivo eletrônico

  A disponibilização de estacionamento aos clientes gera para a empresa o dever de guarda e vigilância dos veículos e...

Pagamentos sem comprovação de serviço afastam tese de mera falha formal em ação de improbidade

Mesmo após as mudanças promovidas pela Lei nº 14.230/2021 na Lei de Improbidade Administrativa, a Justiça do Amazonas entendeu...

Erro no valor da aposentadoria: Justiça reconhece direito do segurado à correção

A Justiça Federal no Amazonas decidiu que o INSS deve revisar o valor de uma aposentadoria por idade ao...

Ministério Público de São Paulo pede prisão do rapper Oruam

O Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) pediu a prisão preventiva do rapper Mauro Davi dos Santos...