“Saque Terminal” não contratado e descontado mês a mês confere danos morais a cliente do Bradesco

“Saque Terminal” não contratado e descontado mês a mês confere danos morais a cliente do Bradesco

A Desembargadora Maria do Perpétuo Socorro Guedes Moura, do Tribunal de Justiça, julgou procedente a ação movida por um consumidor contra o Bradesco no qual o cliente se rebelou contra a cobrança saque terminal. Segundo o julgado, a tarifa não contratada com o cliente ou previamente não autorizada ou solicitada pelo usuário dos serviços bancários ressalta a prática de uma ilegalidade descrita como abuso aos diretos do consumidor. A decisão veio em recurso do Bradesco contra a sentença, que, em primeiro grau havia restaurado os direitos violados do consumidor Pedro Castro.

O Banco argumentou no recurso que a cobrança dessas tarifas não consistem na legalidade reconhecida na sentença, pois a prática se traduz em uma contraprestação devida pelo cliente face a operações bancárias que são utilizadas e que venha a exceder os limites de isenção previstos. 

Entretanto, como destacou o julgado a cobrança de tarifa bancária, sob a rubrica saque terminal, sem que o banco tenha comprovado a sua contratação ou anuência do cliente, não pode ser imposta, muito menos cobrada. Confirmou-se que não houve a prova da legalidade das cobranças efetuadas diretamente na conta do requerente. 

Reconheceu-se ao consumidor o direito a indenização por danos morais sofridos, fundamentando-se que ‘o incômodo derivado da subtração mensal da conta corrente de valores a titulo de cobrança de tarifa de serviços não contratada traduz aborrecimento que não se confunde com os dissabores do dia a dia, haja vista a ansiedade e a preocupação geradas pela redução injusta e contínua redução do patrimônio do consumidor’. 

Processo nº 0609356-47.2021.8.04.0001

Leia o acórdão:

Processo: 0609356-47.2021.8.04.0001 – Apelação Cível, 13ª Vara Cível e de Acidentes de Trabalho. Apelante : Banco Bradesco S.a. Relator: Maria do Perpétuo Socorro Guedes Moura. Revisor: Revisor do processo Não informado EMENTA. APELAÇÃO CÍVEL. COBRANÇA DE TARIFA BANCÁRIA. SAQUETERMINAL. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA SUA CONTRATAÇÃO. CONDENAÇÃO À REPETIÇÃO DO INDÉBITO. DANO MORAL CONFIGURADO. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. RECURSO PARCIALMENTE CONHECIDO DESPROVIDO

Leia mais

Ainda que a punição por improbidade dolosa esteja prescrita, o dever de reparar o dano permanece

Sentença da Justiça Federal no Amazonas manteve ressarcimento de R$ 3,5 milhões mesmo após reconhecer prescrição das sanções contra ex-gestor; decisão está sob recurso...

Banco não pode alegar descuido de cliente para negar devolução quando falha na prevenção de golpe

Juíza Irlena Leal Benchimol reconheceu falha na segurança do Bradesco, mas considerou que a correntista também contribuiu para o golpe. Uma correntista enganada por um...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

“OAB da Medicina”: diploma não basta para atender pacientes

Nova lei exige desempenho mínimo no Enamed para obter registro profissional; regra vale para quem ingressou no curso a...

AGU pede ao STF solução para falta de R$ 533 milhões destinados a pagamentos de Juízes

Judiciário federal e Ministério Público da União informaram insuficiência orçamentária para cumprir decisões sobre vantagens remuneratórias; manifestação foi apresentada...

Comissão aprova atendimento virtual 24 horas a mulheres vítimas de violência

A Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 1292/26, que...

Comissão aprova projeto que prevê apoio a profissionais da educação vítimas de violência

A Comissão de Cultura aprovou o Projeto de Lei 7114/25, que cria o Programa Nacional de Apoio Jurídico, Psicológico...