Juiz não pode arquivar processo de improbidade porque acredita que ele prescreverá no futuro

Juiz não pode arquivar processo de improbidade porque acredita que ele prescreverá no futuro

A 3ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) decidiu que uma ação de improbidade administrativa não pode ser encerrada antecipadamente apenas porque o juiz entende que o processo provavelmente será alcançado pela prescrição antes do julgamento final.

A decisão, com voto do Desembargador Federal Wilson Alves de Souza, reformou sentença que havia extinguido uma ação movida pelo Ministério Público Federal (MPF) contra ex-agentes públicos.

No caso, o juízo de primeira instância considerou que a complexidade da causa, a necessidade de produção de provas, o número de réus e a proximidade do prazo prescricional tornariam impossível a conclusão do processo em tempo hábil. Com esse fundamento, entendeu que não haveria utilidade prática na continuidade da ação e determinou sua extinção sem análise do mérito.

Ao examinar o recurso do MPF, o TRF-1 concluiu que a medida foi prematura. A relatora destacou que a legislação sobre improbidade administrativa sofreu alterações relevantes e que, posteriormente à sentença, o Supremo Tribunal Federal suspendeu cautelarmente a eficácia do dispositivo que reduzia pela metade o prazo da prescrição intercorrente. Com isso, voltou a prevalecer, provisoriamente, o prazo integral de oito anos para a contagem prescricional.

Segundo o acórdão, a simples expectativa de que a prescrição possa ocorrer no futuro não autoriza o encerramento antecipado do processo. Para o colegiado, permanecia presente o interesse processual do Ministério Público na busca da responsabilização dos acusados, razão pela qual a ação deve seguir seu curso normal, com produção de provas e julgamento do mérito.

Por unanimidade, a 3ª Turma deu provimento à apelação do MPF, anulando a extinção do processo e determinando o retorno dos autos à primeira instância para regular prosseguimento. A decisão reforça o entendimento de que a prescrição deve ser analisada nos momentos previstos em lei, não sendo possível arquivar uma ação de improbidade apenas com base na previsão de que ela poderá ocorrer futuramente.

Processo 1003946-77.2019.4.01.3703

Leia mais

Ainda que a punição por improbidade dolosa esteja prescrita, o dever de reparar o dano permanece

Sentença da Justiça Federal no Amazonas manteve ressarcimento de R$ 3,5 milhões mesmo após reconhecer prescrição das sanções contra ex-gestor; decisão está sob recurso...

Banco não pode alegar descuido de cliente para negar devolução quando falha na prevenção de golpe

Juíza Irlena Leal Benchimol reconheceu falha na segurança do Bradesco, mas considerou que a correntista também contribuiu para o golpe. Uma correntista enganada por um...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

“OAB da Medicina”: diploma não basta para atender pacientes

Nova lei exige desempenho mínimo no Enamed para obter registro profissional; regra vale para quem ingressou no curso a...

AGU pede ao STF solução para falta de R$ 533 milhões destinados a pagamentos de Juízes

Judiciário federal e Ministério Público da União informaram insuficiência orçamentária para cumprir decisões sobre vantagens remuneratórias; manifestação foi apresentada...

Comissão aprova atendimento virtual 24 horas a mulheres vítimas de violência

A Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 1292/26, que...

Comissão aprova projeto que prevê apoio a profissionais da educação vítimas de violência

A Comissão de Cultura aprovou o Projeto de Lei 7114/25, que cria o Programa Nacional de Apoio Jurídico, Psicológico...