Embora tenha aderido ao contrato, é direito da pessoa ir a Justiça e pedir a revisão das cláusulas

Embora tenha aderido ao contrato, é direito da pessoa ir a Justiça e pedir a revisão das cláusulas

Sem que o consumidor possa discutir as regras do contrato com o qual pactuou dando o  aceite, é inquestionável  que não se possa subtrair da parte mais vulnerável o direito de obter a seu pedido que seja verificado a existência de condições abusivas e que devam ser revistas pelo Poder Judiciário. 

Com esse contexto, a Desembargadora Joana dos Santos Meirelles, do TJAM, reformou sentença que declarou válido um contrato de cartão de crédito consignado e condenou o autor ao pagamento das custas processuais e honorários advocatícios.

Embora de adesaão, o contrato deverá atender a sua função social, ou seja, deverá atingir o objetivo para que foi proposto, sem prejudicar nenhuma das partes, sem que nenhuma delas tenha seu equilíbrio derrubado, dispôs a Relatora. No caso examinado, a Relatora avaliou como correta a irresignação do cliente do Banco Bmg. Segundo o disposto nos autos, o autor quis a contratação de um empréstimo na modalidade consignado, e o Banco findou amarrando um cartão de crédito que se evidenciou oneroso para a parte mais frágil.

Ainda que se considerasse a tese do Banco, de que o cliente buscou a modalidade contratual impugnada, ainda assim a instituição pecou por ausência de informações, que somente serão consideradas claras e, por consequência, o contrato válido, quando se demonstrar que o consumidor foi, sem margem a qualquer dúvida, informado acerca dos termos da contratação, de forma clara, objetiva e em linguagem fácil. Esses pontos não socorreram ao Banco questionado. 

Com o voto da Relatora, a Primeira Câmara Cível reformou a sentença e condenou a Instituição Financeira à devolução em dobro dos valores cobrados em excesso, além de fixar o pagamento a título de danos morais no valor de R$ 5.000,00(cinco mil reais), incidindo juros moratórios desde a citação e correção monetária.

 

0712727-90.2022.8.04.0001        
Classe/Assunto: Apelação Cível / Defeito, nulidade ou anulação
Relator(a): Joana dos Santos Meirelles
Comarca: Manaus
Órgão julgador: Primeira Câmara Cível
Data do julgamento: 31/01/2024
Data de publicação: 31/01/2024
Ementa: APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DECLARATÓRIA C/C INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS E DANOS MORAIS. CONTRATO DE ADESÃO COM INFORMAÇÕES INSUFICIENTES. CARTÃO DE CRÉDITO CONSIGNADO. VIOLAÇÃO DO DEVER DE INFORMAÇÃO. APLICAÇÃO DO ENTENDIMENTO FIRMADO NO IRDR N. 0005217-75.2019.8.04.0000. REPETIÇÃO DE INDÉBITO EM DOBRO. DANO MORAL CONFIGURADO. RECURSO CONHECIDO E PROVIDO. SENTENÇA REFORMADA.
 

Leia mais

Ainda que a punição por improbidade dolosa esteja prescrita, o dever de reparar o dano permanece

Sentença da Justiça Federal no Amazonas manteve ressarcimento de R$ 3,5 milhões mesmo após reconhecer prescrição das sanções contra ex-gestor; decisão está sob recurso...

Banco não pode alegar descuido de cliente para negar devolução quando falha na prevenção de golpe

Juíza Irlena Leal Benchimol reconheceu falha na segurança do Bradesco, mas considerou que a correntista também contribuiu para o golpe. Uma correntista enganada por um...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

“OAB da Medicina”: diploma não basta para atender pacientes

Nova lei exige desempenho mínimo no Enamed para obter registro profissional; regra vale para quem ingressou no curso a...

AGU pede ao STF solução para falta de R$ 533 milhões destinados a pagamentos de Juízes

Judiciário federal e Ministério Público da União informaram insuficiência orçamentária para cumprir decisões sobre vantagens remuneratórias; manifestação foi apresentada...

Comissão aprova atendimento virtual 24 horas a mulheres vítimas de violência

A Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 1292/26, que...

Comissão aprova projeto que prevê apoio a profissionais da educação vítimas de violência

A Comissão de Cultura aprovou o Projeto de Lei 7114/25, que cria o Programa Nacional de Apoio Jurídico, Psicológico...