TJ-RJ anula interceptações telefônicas por falta de assinatura da decisão

TJ-RJ anula interceptações telefônicas por falta de assinatura da decisão

A ausência de autorização judicial para excepcionar o sigilo das comunicações macula (mancha) a investigação policial e invalida os conteúdos obtidos. Além disso, o pronunciamento judicial sem assinatura não possui eficácia jurídica.

Com tais entendimentos, a 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro anulou e determinou a exclusão de uma parte das interceptações telefônicas feitas em uma investigação sobre tráfico de drogas em comunidades da capital fluminense.

O inquérito policial apurava a prática de associação para o tráfico por parte de líderes da facção Comando Vermelho em cinco comunidades. Integrantes do grupo criminoso invadiram os locais e expulsaram membros de outras facções.

Em 2020, policiais civis promoveram diligências próximas à Comunidade da Covanca, no bairro do Jacarepaguá, para identificar e capturar os envolvidos. Dois indivíduos não identificados, a bordo de uma motocicleta, avistaram a viatura e iniciaram uma fuga. Em determinado momento, deixaram cair um celular e dois cadernos de anotações.

Ao analisar as informações contidas nos objetos, os policiais identificaram diversas linhas telefônicas, contas do Twitter e grupos de WhatsApp possivelmente utilizados por criminosos. Para identificar os suspeitos e demonstrar seu envolvimento com o tráfico, houve quebra de sigilo do aparelho e interceptações telefônicas.

A interceptação ocorreu entre os dias 20 de novembro e 8 de dezembro daquele ano. Por meio de Habeas Corpus, a defesa de um dos investigados alegou que a medida ocorreu sem que a decisão autorizadora estivesse assinada.

A juíza que deferiu a interceptação telefônica lançou sua decisão no sistema no dia 17 de novembro, mas não a imprimiu e nem a assinou eletronicamente no mesmo dia — o que correu somente em 1º de dezembro daquele ano.

Fundamentação

A desembargadora Suimei Meira Cavalieri, relatora do caso no TJ-RJ, lembrou que, conforme a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, a decisão judicial sem assinatura do juiz não produz efeitos jurídicos.

Assim, não seriam válidas as interceptações promovidas entre 20 de novembro e 1º de dezembro. Por outro lado, foram legitimadas as interceptações ocorridas entre o horário da assinatura da decisão no dia 1º e a data de 8 de dezembro.

“Tendo em conta que as interceptações telefônicas no período mencionado não foram precedidas da devida autorização judicial, afigura-se patente a existência do prejuízo, já que se trata de diligência por meio da qual a garantia constitucional do sigilo das comunicações telefônicas é flexibilizada”, assinalou.

“Com o advento do processo eletrônico e novas tecnologias no processo penal, torna-se cada vez mais importante ao advogado criminalista se atentar aos detalhes e buscar apoio especializado, com vistas a ofertar ao acusado uma defesa efetiva (com utilização de mecanismos tecnológicos condizentes com o grau de evolução dos processos judiciais)”, afirma o advogado Igor de Carvalho, que atuou no processo junto ao advogado Rodrigo Gomes e à estagiária Paolla Vieira.

A defesa também alegava excesso de prazo da prisão preventiva do paciente, que já durava mais de um ano, sem que ocorresse sequer a primeira audiência. Mas a corte considerou que o tempo de custódia cautelar “é perfeitamente compatível com a complexidade do processo e não afronta os princípios da razoabilidade e proporcionalidade”.

Com informações do Conjur

Leia mais

Plataforma de IA do TJAM passa a bloquear comandos ocultos em petições processuais

O Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) reforçou a segurança da plataforma de Inteligência Artificial “Arandu GPT”, utilizada por magistrados e servidores, com mecanismos...

OAB-AM anuncia construção de nova sede da Subseção de Manacapuru

A OAB Amazonas, sob gestão do presidente Jean Cleuter, garantiu mais um importante avanço para o fortalecimento da advocacia no interior do estado. O...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Moraes cobra ação do governo brasileiro para extradição de Zambelli

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), cobrou que o Ministério da Justiça e Segurança Pública...

STF rejeita pedido de destaque para revisão de aposentadorias do INSS

O ministro Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou na terça-feira (19) um pedido de destaque (remessa...

Plataforma de IA do TJAM passa a bloquear comandos ocultos em petições processuais

O Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) reforçou a segurança da plataforma de Inteligência Artificial “Arandu GPT”, utilizada por...

Revendedor é condenado após vender carro e não repassar valor à proprietária

A 16ª Vara Cível da Comarca de Natal condenou um homem que atuava como intermediador de venda de veículos ao pagamento...