PL pede trancamento de ação contra Zambelli e tensiona relação entre Câmara e Supremo

PL pede trancamento de ação contra Zambelli e tensiona relação entre Câmara e Supremo

A recente deliberação da Câmara dos Deputados que resultou na suspensão parcial da ação penal movida contra o deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) poderá abrir precedente relevante para outros parlamentares que figuram como acusados em processos penais perante o Supremo Tribunal Federal (STF).

A decisão da Câmara dos Deputados de suspender parte da ação penal contra o deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ) no Supremo Tribunal Federal (STF) pode se tornar um precedente para beneficiar outros parlamentares acusados criminalmente. Um dos casos que já tenta seguir esse caminho é o da deputada Carla Zambelli (PL-SP), que responde no STF por suposta invasão ao sistema eletrônico do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

O Partido Liberal (PL) pediu que a Câmara também suspenda o processo contra Zambelli, com base na mesma regra usada no caso de Ramagem: a prerrogativa prevista no artigo 53 da Constituição, que permite ao Congresso sustar ações penais contra parlamentares por fatos ocorridos após a diplomação. A proposta ainda não foi encaminhada para votação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), e depende de decisão do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).

Enquanto isso, o julgamento no STF já está em fase final. A Primeira Turma da Corte formou maioria (4 votos a 0) para condenar Zambelli a dez anos de prisão e perda do mandato, faltando apenas o voto do ministro Luiz Fux.

A defesa da deputada pediu que o processo fosse suspenso até que a Câmara decidisse sobre o requerimento, mas o ministro Alexandre de Moraes negou o pedido. Ele destacou que a suspensão só vale para crimes cometidos durante o mandato parlamentar, e que o caso de Zambelli envolve fatos de 2018, antes da atual legislatura.

O PL sustenta, no entanto, que ela já exercia mandato à época dos fatos e, por isso, teria direito à proteção constitucional.

A situação reacende o debate sobre os limites das prerrogativas parlamentares e o equilíbrio entre os poderes Legislativo e Judiciário. A votação que beneficiou Ramagem provocou reação imediata no STF, que considerou inconstitucional a tentativa da Câmara de suspender o processo inteiro. A Corte decidiu que a suspensão só vale para duas das cinco acusações contra o deputado. As demais, inclusive as que envolvem o ex-presidente Jair Bolsonaro, seguem normalmente no Judiciário.

Outro nome citado como possível beneficiário do mecanismo é o deputado Juscelino Filho (União Brasil-MA), denunciado pela Procuradoria-Geral da República por desvio de emendas parlamentares. Nos bastidores, há quem avalie pedir a suspensão do processo também nesse caso, mas Juscelino nega essa possibilidade e diz que não autorizou qualquer articulação nesse sentido. Ele acredita que o STF sequer aceitará a denúncia, o que ainda impediria a transformação do caso em ação penal — condição necessária para a Câmara poder suspender o processo.

A suspensão de processos penais contra deputados e senadores é uma previsão da Constituição de 1988, criada para evitar perseguições políticas contra membros do Congresso. O uso desse mecanismo, no entanto, era raro até a decisão recente que beneficiou Ramagem. Agora, a Câmara e o STF parecem caminhar para um novo embate institucional, com possíveis impactos sobre o futuro de outros parlamentares investigados.

Leia mais

Notificação após negativação gera dano moral presumido, diz STJ

Inscrição em cadastro de inadimplentes antes da notificação gera dano moral presumido, define STJ ao manter julgado do Tribunal de Justiça do Amazonas. Foi...

Doença, por si só, não garante direito previdenciário sem incapacidade no período de segurado

A proteção previdenciária não alcança situações em que a incapacidade surge após o encerramento da condição de segurado. O direito ao amparo previdenciário por incapacidade...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Notificação após negativação gera dano moral presumido, diz STJ

Inscrição em cadastro de inadimplentes antes da notificação gera dano moral presumido, define STJ ao manter julgado do Tribunal...

Doença, por si só, não garante direito previdenciário sem incapacidade no período de segurado

A proteção previdenciária não alcança situações em que a incapacidade surge após o encerramento da condição de segurado. O direito...

TJAM: Estrutura do contrato financeiro pode, por si só, evidenciar venda casada

Venda casada pode ser reconhecida por indícios do próprio contrato, decide Turma Recursal do TJAM. A prática de venda casada...

Pornografia de vingança pode justificar prisão preventiva para proteção da vítima, indica STJ

STJ mantém prisão preventiva de investigado por divulgação de imagens íntimas e violência doméstica. A divulgação não autorizada de imagens...