Estado indenizará família de vítima de violência policial cumprindo decisão de Corte IDH

Estado indenizará família de vítima de violência policial cumprindo decisão de Corte IDH

Com o intuito de cumprir integralmente a sentença estabelecida pela Corte Interamericana de Direitos Humanos (Corte IDH) no caso Antônio Tavares Pereira, o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) se reuniu, no último fim de semana, com representantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) nacional e do Estado do Paraná. Representantes da organização de Direitos Humanos Terra de Direitos, da Terra de Justiça e da Global Direitos também estiveram no encontro, que durou cerca de duas horas e no qual os integrantes puderam discutir cada ponto da sentença.

O integrante do MST Antônio Tavares Pereira foi morto há 23 anos, em uma rodovia, pelo uso desproporcional da força empregada pela Polícia Militar, quando estava a caminho de uma marcha pela reforma agrária, em Curitiba (PR). A Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) decidiu, no ano passado, que o Estado brasileiro deve indenizar a família. O governo Lula se prepara para cumprir a sentença.

Segundo a chefe de gabinete do MDHC, Marina Lacerda, a Pasta está num esforço de articulação interministerial e em diálogo com os peticionários do caso com a meta de alcançar o cumprimento da sentença o mais rápido possível. “Ainda há muito trabalho pela frente. É preciso que a memória deste fato fique registrada, seja para os que foram diretamente afetados, seja para os militantes do movimento social e seus militantes atuais, seja para toda a sociedade brasileira”, disse a gestora.

De acordo com a coordenadora-geral de Sistemas Internacionais de Direitos Humanos do MDHC, Isabel Penido, a reunião foi proveitosa. “Hoje nós tivemos esta abertura de diálogo, de coordenação com as vítimas, e detalhamos sobre cada ponto da sentença, incluindo a questão das indenizações, sobre o tratamento médico, psicológico e/ou psiquiátrico gratuito dos familiares do Antônio e às vítimas, entre outros assuntos pertinentes ao caso. A nossa preocupação é que a sentença se reflita estruturalmente nas políticas públicas, para que essas violações não voltem a acontecer com outras pessoas”, enfatizou.

Uma das pautas da reunião foi a colaboração dos representantes do MST no cumprimento de parte da sentença, que implica, por exemplo, em reunir a documentação dos familiares de Antônio Tavares para que sejam indenizados.

Entenda o caso
Em 16 de novembro de 2023, a Corte Interamericana de Direitos Humanos proferiu sentença declarando que o Estado brasileiro tem responsabilidade internacional pelo uso desproporcional da força empregada pela PM contra Tavares Pereira e outros trabalhadores rurais que buscavam manifestar-se publicamente, com a consequente violação de seus direitos à vida, à integridade pessoal, à liberdade de pensamento e de expressão, de reunião, da criança e de circulação.

A Corte também considerou o Brasil responsável internacionalmente pela violação de direitos estabelecidos nos artigos 8.1 e 25.1 da Convenção Americana, em detrimento dos familiares de Antônio Tavares Pereira e de 69 trabalhadores rurais feridos, devido à falta de diligência na investigação e nos processos penais iniciados em razão dos fatos.

Além disso, o Tribunal considerou que a longa duração do processo civil, iniciado pelos familiares de Antônio, para obter reparação pelos danos morais e materiais causados, violou a garantia judicial do prazo razoável.

Com informações Planalto

Leia mais

Divulgação de conteúdo falso sobre hospital público leva à remoção de vídeo no Amazonas

Justiça determina remoção de vídeo com IA sobre hospital público e impõe dever de ação a plataforma. A decisão atende à Procuradoria Geral do...

Sem prova da exclusão irregular na seleção do Mais Médicos, MS não prospera

Exclusão de candidato em seleção pública pode ser revista, mas exige prova documental no mandado de segurança. Foi essa lógica que orientou decisão da...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Sem apresentar alegações finais após duas intimações, defensor é multado — decisão é mantida no STJ

Sanção processual contra advogado por abandono da causa é válida, decide o STJ. Foi Relator do processo o Ministro...

TRT-15 nega indenização a vendedor que alegou ameaça com arma de fogo por cliente

A 8ª Câmara do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região negou o recurso de um vendedor que alega...

TRF1 garante matrícula em curso superior a estudante que concluiu ensino médio no exterior

A 5ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) garantiu o direito de uma estudante que concluiu...

Justiça determina devolução de valores e pagamento de danos morais por atraso em venda de lote

A demora na liberação de documentos para financiamento imobiliário levou à rescisão de um contrato de compra e venda...