Denúncia anônima com características do suspeito justifica entrada policial e condenação por tráfico

Denúncia anônima com características do suspeito justifica entrada policial e condenação por tráfico

É legítima a busca domiciliar realizada sem mandado judicial quando amparada por denúncia anônima especificada e consentimento do morador, nos termos da jurisprudência do STF (RE 603.616/RO) e do STJ, especialmente em crimes permanentes como o tráfico de drogas.

O Ministro Joel Ilan Paciornik, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), não conheceu do Habeas Corpus nº 995896, impetrado em favor de Linara Sabá da Silva, confirmando a validade das provas obtidas em diligência policial sem mandado judicial, mas com base em denúncia anônima específica e suposta autorização da acusada para ingresso em sua residência.

A paciente havia sido condenada pelo Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) pelo crime de tráfico de drogas (art. 33 da Lei 11.343/2006), após a reforma de sentença absolutória proferida em primeiro grau.

A defesa sustentava que a entrada no domicílio violou a inviolabilidade constitucional da residência, uma vez que não haveria prova inequívoca do consentimento da acusada nem justa causa para a diligência. Pleiteava a nulidade das provas e a absolvição.

No entanto, o relator afastou a alegada ilegalidade, destacando que a denúncia anônima indicava com precisão o nome, o endereço e as características físicas da acusada, o que configuraria “fundadas razões” suficientes para o ingresso domiciliar, conforme orientação firmada no julgamento do RE 603.616/RO pelo Supremo Tribunal Federal. Além disso, a decisão do TJAM registrou que a própria acusada franqueou a entrada dos policiais.

Segundo o ministro Paciornik, a controvérsia acerca da autorização dada pela paciente envolveria reexame de matéria fático-probatória, inviável em habeas corpus substitutivo de recurso especial. O relator também citou precedentes da Quinta Turma do STJ no mesmo sentido, reforçando a presunção de legitimidade dos depoimentos policiais quando harmônicos com o conjunto probatório.

Por não verificar flagrante ilegalidade ou abuso de poder, o STJ concluiu pela inadmissibilidade do habeas corpus, nos termos do art. 34, XVIII, “a”, do Regimento Interno do Tribunal.

Leia mais

Pensão por morte pode retroagir ao óbito mesmo com pedido fora do prazo legal, decide TRF1

Sob relatoria da juíza federal convocada Jaqueline Conesuque Gurgel do Amaral, colegiado considerou que a demora da mãe não poderia prejudicar os direitos dos...

PGE-AM recebe currículos para estágio administrativo até sexta-feira (30)

A Procuradoria-Geral do Estado do Amazonas (PGE-AM) recebe até esta sexta-feira (30) currículos para oportunidades de estágio em setores administrativos. Podem participar estudantes de...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Justiça valida notificação enviada a endereço informado pelo devedor

A 8ª Turma Cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) decidiu que o envio...

TJ-SP mantém exclusão de sócio que dificultou atividade de empresa imobiliária

A 1ª Câmara Reservada de Direito Empresarial do Tribunal de Justiça de São Paulo manteve decisão da 4ª Vara...

Condenado por lesão corporal contra mulher fica inelegível, decide TSE

O plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu, nesta quinta-feira (29), que a condenação colegiada por lesão corporal contra...

Vorcaro diz que não fez nada errado e pede voto de confiança

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro prestou depoimento à Polícia Federal (PF) no dia 15 de outubro e negou ter cometido...