Auxílio em Libras a colegas com deficiência auditiva não gera adicional salarial

Auxílio em Libras a colegas com deficiência auditiva não gera adicional salarial

A 10ª Câmara do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região manteve a improcedência do pedido de diferenças salariais por acúmulo e desvio de função formulado por empregado de empresa do setor metalúrgico que alegava exercer atividades de interpretação em Língua Brasileira de Sinais (Libras) para auxiliar colegas com deficiência auditiva.

O trabalhador sustentou que, além das atribuições inerentes ao cargo para o qual foi contratado, era frequentemente acionado para intermediar a comunicação entre a empresa e empregados surdos, participando de reuniões e auxiliando na transmissão de informações. Com base nessa atuação, requereu o pagamento de adicional por acúmulo de função ou, alternativamente, diferenças salariais por desvio funcional.

A sentença da Vara do Trabalho de Sumaré rejeitou o pedido, entendimento posteriormente mantido pelo colegiado ao analisar o recurso do empregado. Ao examinar o caso, a Câmara ressaltou que o acúmulo de função somente se caracteriza quando o empregado passa a exercer, de forma habitual e concomitante, atividades distintas daquelas originalmente contratadas, com atribuições que demandem maior qualificação ou responsabilidade e representem efetivo desequilíbrio na relação contratual.

A relatora do acórdão, desembargadora Scynthia Maria Sisti Tristão, observou que a prova oral confirmou que o trabalhador possuía conhecimento em Libras e auxiliava na comunicação com colegas surdos, em determinadas ocasiões. Entretanto, o conjunto probatório também revelou que a empresa dispunha de outros mecanismos para a transmissão de informações, como orientações escritas, materiais em slides, utilização de tablets e o apoio profissional do setor de recursos humanos nas comunicações oficiais.

Segundo a decisão, os depoimentos demonstraram que a atuação do empregado ocorria de forma pontual e estava inserida em um contexto de colaboração no ambiente de trabalho. Para o colegiado, ele não era o único responsável pela comunicação com os trabalhadores com deficiência auditiva nem exercia, de maneira habitual e exclusiva, a atividade de intérprete de Libras.

A decisão destacou ainda que a realização eventual de tarefas compatíveis com as condições pessoais do empregado não é suficiente para caracterizar acúmulo de função. Nesses casos, é necessária a comprovação de que houve atribuição permanente de atividades efetivamente desvinculadas da função originalmente contratada, circunstância que não ficou demonstrada nos autos.

Processo nº 0010411-19.2022.5.15.0122.

Com informações do TRT-15

Leia mais

TRE/AM: Origem lícita do dinheiro não afasta multa por doação eleitoral acima do limite

A origem lícita dos recursos utilizados em uma doação eleitoral não afasta a aplicação de sanção quando o valor supera o limite previsto em...

Ser barrado na catraca da academia por débito inexistente é vexatório e indenizável

A Live Academia foi condenada a devolver em dobro valor cobrado indevidamente e a pagar R$ 6 mil por danos morais após impedir reiteradamente...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Comissão aprova preferência no Prouni a candidatos afastados do convívio familiar

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 5955/13,...

Porteira que simulou ter sofrido assédio sexual é condenada por litigância de má-fé

A 7ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (TRT-RS) condenou por litigância de má-fé uma porteira...

Justiça Federal do Rio de Janeiro condena ex-agente da ditadura militar por crimes na “Casa da Morte”

A 2ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro (RJ) condenou um ex-militar, conhecido como "Camarão”, por crimes de...

Homem é condenado a 18 anos de prisão por matar companheira com 28 facadas

O Tribunal do Júri de Santo Antônio do Descoberto (GO), presidido pela juíza Isabella Luíza Alonso Bittencourt, condenou Eliezer...