Aptidão para enganar em documento falso basta para configurar crime contra a fé pública

Aptidão para enganar em documento falso basta para configurar crime contra a fé pública

No crime de falsificação de documento público, não é preciso que o documento chegue a ser usado ou cause prejuízo. Basta que ele seja falso e tenha capacidade de enganar uma pessoa comum. Mesmo que a falsificação seja descoberta depois, isso não apaga o crime. Se o documento poderia enganar alguém, o crime já está configurado.

O Tribunal de Justiça de Santa Catarina reafirmou que o crime de falsificação de documento público, previsto no art. 297 do Código Penal, possui natureza formal, prescindindo da ocorrência de resultado naturalístico ou de efetivo prejuízo a terceiros. Para a consumação do delito, basta a confecção de documento materialmente falso dotado de potencialidade lesiva, isto é, apto a enganar o homem médio.

No caso examinado, a Corte afastou expressamente as teses de crime impossível e de atipicidade material ao constatar que a falsidade não era perceptível de plano. A irregularidade somente foi identificada após conferência da diretora da escola, circunstância que evidencia a idoneidade do documento para comprometer a fé pública e reforça a tipicidade da conduta.

Segundo o acórdão, o fato de o documento não ter chegado a circular ou de não haver prova de sua efetiva utilização não descaracteriza o crime, uma vez que a falsificação, por si só, já representa risco concreto à confiança nos atos administrativos. Trata-se de entendimento consolidado na jurisprudência, segundo o qual a simples criação do documento falso consuma o delito.

Com esse fundamento, o colegiado reformou a sentença absolutória e reconheceu a responsabilidade penal da ré, destacando que a proteção da fé pública não se condiciona à demonstração de dano efetivo, mas à potencialidade de engano inerente ao documento falsificado.

Processo: 0002831-38.2018.8.24.0069

Leia mais

Banco não pode alegar descuido de cliente para negar devolução quando falha na prevenção de golpe

Juíza Irlena Leal Benchimol reconheceu falha na segurança do Bradesco, mas considerou que a correntista também contribuiu para o golpe. Uma correntista enganada por um...

Licença especial não usufruída por policial da reserva deve ser indenizada em dinheiro

Juíza Etelvina Lobo Braga condenou o Estado do Amazonas a pagar 12 meses de licença e 30 dias de férias; valor será calculado pela...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Porteiro que age com descuido e facilita furto obriga condomínio a indenizar morador

O condomínio sustentou que não poderia ser responsabilizado automaticamente pelo furto: seria necessário demonstrar uma falha de sua parte,...

Banco não pode alegar descuido de cliente para negar devolução quando falha na prevenção de golpe

Juíza Irlena Leal Benchimol reconheceu falha na segurança do Bradesco, mas considerou que a correntista também contribuiu para o...

Licença especial não usufruída por policial da reserva deve ser indenizada em dinheiro

Juíza Etelvina Lobo Braga condenou o Estado do Amazonas a pagar 12 meses de licença e 30 dias de...

Equiparação da Zona Franca à exportação não dispensa encargos sobre salários

Justiça Federal no Amazonas rejeitou pedido de empresa que buscava aplicar aos empregados em Manaus benefício previsto para trabalhadores...