A pedido de Edson Fachin, ministro retirou parcialmente o sigilo da investigação e vai compartilhar os autos com os demais integrantes da Corte; sessão de terça-feira pode definir o destino das suspeitas envolvendo Alexandre de Moraes.
A crise instalada no Supremo Tribunal Federal ganhou um novo capítulo nesta sexta-feira (11). A pedido do presidente da Corte, Edson Fachin, o ministro André Mendonça retirou o sigilo da investigação principal do caso Banco Master e de outros 14 procedimentos relacionados às apurações envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro.
A abertura, porém, é parcial: continuam protegidas informações cuja divulgação possa comprometer diligências ainda em andamento.
Fachin também pediu que a íntegra do material seja encaminhada aos gabinetes dos demais ministros. A providência antecede a sessão extraordinária marcada para terça-feira, 15 de setembro, quando o Plenário analisará o relatório da Polícia Federal sobre a suposta interlocução entre Vorcaro e Alexandre de Moraes, além dos questionamentos apresentados pela Procuradoria-Geral da República. Na prática, a Corte terá de definir se há elementos para que as suspeitas envolvendo Moraes avancem ou se serão afastadas.
A decisão de Mendonça amplia a publicidade de uma investigação que já extrapolou o Banco Master e alcançou diferentes setores políticos e institucionais. Entre os procedimentos liberados estão apurações relacionadas ao contrato entre o banco e o escritório da mulher de Moraes, a suspeitas de vazamento de informações do Banco Central e a grupos que teriam atuado em favor dos interesses de Vorcaro. Outros braços da investigação permanecem sob sigilo.
A pressão pela abertura dos autos também chegou ao Palácio do Planalto. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu que as investigações sejam transparentes e afirmou que eventuais responsabilidades devem ser apuradas independentemente de quem esteja envolvido. A manifestação ocorreu em meio à escalada da crise no Supremo, marcada nos últimos dias por decisões conflitantes, acusações entre ministros e pela intervenção de Fachin para reorganizar a condução dos casos.
Nos bastidores da Corte, há expectativa de que a sessão de terça-feira comece por questões regimentais antes de alcançar o mérito das suspeitas contra Moraes, inclusive com possíveis discussões sobre a participação de ministros mencionados em outras investigações.
Por enquanto, são conjecturas sobre uma sessão que promete ser longa. O dado concreto é que, depois de dias de decisões individuais e confrontos públicos, a crise chegará ao Plenário e o Supremo terá de decidir coletivamente até onde deve avançar a investigação sobre um de seus próprios integrantes.
A estratégia de Alexandre de Moraes
A tensão deve aumentar até a sessão do dia 15. Fachin deu a Moraes prazo até o dia 14 para se manifestar sobre as 51 mensagens atribuídas a conversas com Daniel Vorcaro em um intervalo de 21 dias. O ministro, que desistiu de fazer um pronunciamento público, deve sustentar que não há prova de que o aparelho usado nas mensagens fosse seu.
Dos bastidores do STF se aponta ainda a possibilidade de Moraes questionar a participação de colegas no julgamento, alegando relações deles com personagens citados nas investigações do Master. Essa última movimentação, porém, permanece no terreno das expectativas e somente poderá ser confirmada quando o Plenário se reunir.
