Universidade não pode bloquear rematrícula por dívida de curso diferente, decide TJAL

Universidade não pode bloquear rematrícula por dívida de curso diferente, decide TJAL

A inadimplência em contrato anterior não autoriza instituição de ensino superior a impedir a rematrícula do aluno em curso diverso, especialmente quando há nova relação contratual vigente. Esse foi o entendimento adotado pelo Fábio Costa de Almeida Ferrario, relator de agravo de instrumento na 4ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Alagoas.

No caso, a estudante teve a rematrícula no 5º período de Odontologia bloqueada sob o fundamento de débitos remanescentes do curso de Medicina anteriormente trancado. A instituição condicionou a continuidade dos estudos à quitação desses valores pretéritos.

O relator reconheceu que a Lei 9.870/1999 autoriza a recusa de renovação de matrícula em caso de inadimplência. Contudo, destacou que a norma deve ser interpretada dentro da relação contratual específica. No caso concreto, os débitos referiam-se a contrato distinto, juridicamente autônomo, não sendo legítimo utilizar a matrícula em curso diverso como meio indireto de cobrança.

A decisão também ressaltou que a estudante estava regularmente vinculada ao FIES no curso de Odontologia, o que afastava risco financeiro imediato à instituição. Para o magistrado, vincular dívida antiga a nova relação contratual configura medida desproporcional e potencialmente abusiva, além de tensionar indevidamente o direito fundamental à educação.

Em juízo de cognição sumária, o relator entendeu presentes a probabilidade do direito e o perigo de dano, uma vez que o semestre letivo já havia iniciado. A tutela recursal foi deferida para determinar a imediata efetivação da matrícula e liberação do acesso às atividades acadêmicas no prazo de 24 horas.

A decisão reafirma um ponto relevante: a autonomia universitária não autoriza a utilização de ato acadêmico como instrumento de coerção para cobrança de crédito oriundo de contrato diverso. O meio adequado para satisfação da dívida permanece sendo a via judicial própria — não a interrupção da trajetória acadêmica.

Leia mais

STF mantém tese de que perda de cargo de promotor de justiça independe de trânsito penal

STF mantém possibilidade de perda de cargo de membro vitalício do MP sem prévia condenação penal definitiva. A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal decidiu...

Se o valor da ação contra o Detran é inferior a 60 salários mínimos, a competência é do Juizado

Juizado da Fazenda Pública deve julgar ação contra o Detran de até 60 salários mínimos. A competência para processar ações contra o poder público estadual...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

STF mantém tese de que perda de cargo de promotor de justiça independe de trânsito penal

STF mantém possibilidade de perda de cargo de membro vitalício do MP sem prévia condenação penal definitiva. A Primeira Turma...

Comissão aprova novas regras para afastar agressores de vítimas no serviço público

A Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados aprovou projeto de lei que altera a...

Comissão aprova demissão por justa causa para condenados por maus-tratos contra animais

A Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados aprovou projeto que prevê a hipótese de...

Comissão aprova divórcio unilateral em cartório para vítima de violência doméstica

A Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados aprovou projeto de lei que permite à...