Moraes reage a pressões por código de conduta no STF e critica “demonização de palestras”

Moraes reage a pressões por código de conduta no STF e critica “demonização de palestras”

Na primeira sessão plenária do Supremo Tribunal Federal em 2026, o ministro Alexandre de Moraes reagiu às cobranças por um código de conduta para integrantes da Corte e afirmou que a magistratura vem sendo alvo de uma “demonização” injustificada, especialmente em relação à participação de juízes em palestras e atividades acadêmicas.

Segundo Moraes, a magistratura já está submetida a um dos regimes mais rigorosos de restrições da administração pública, sendo permitido aos juízes apenas o exercício do magistério e a realização de palestras. Para ele, a crítica crescente a essas atividades revela uma escalada de desconfiança generalizada. “Por falta do que criticar, daqui a pouco a má-fé vai recair sobre quem dá aula nas universidades”, afirmou.

O ministro também negou que magistrados do Supremo julguem processos nos quais tenham interesse pessoal ou vínculos familiares, ressaltando que as regras de impedimento e suspeição são claras e aplicáveis desde a primeira instância até a Corte constitucional. Segundo ele, qualquer relação de parentesco com advogados das partes impede automaticamente a atuação judicial.

Resolução do CNJ e autocontenção

Ainda no julgamento, o ministro Dias Toffoli defendeu a validade da resolução do Conselho Nacional de Justiça que estabelece limites para o uso de redes sociais por magistrados. Para Toffoli, trata-se de normas de “autocontenção” e “autolimite”, voltadas à preservação da imparcialidade e da imagem institucional do Judiciário.

A manifestação ocorre em meio a questionamentos públicos sobre a conduta de ministros em casos de grande repercussão, o que levou o presidente do STF, Edson Fachin, a intensificar a articulação por um código de ética para as cortes superiores. Fachin indicou a ministra Cármen Lúcia como relatora da proposta, com o objetivo de sistematizar parâmetros de conduta e transparência.

Julgamento segue suspenso

O julgamento da ação que questiona a resolução do CNJ foi interrompido e deverá ser retomado após o retorno do ministro Luiz Fux, afastado por motivo de saúde. Até o momento, acompanharam o relator os ministros Kassio Nunes Marques, Cristiano Zanin e André Mendonça. Ainda faltam se manifestar, além de Fux e Toffoli, os ministros Cármen Lúcia, Gilmar Mendes e o próprio Fachin.

A escolha do tema como um dos primeiros julgamentos do ano reforça a intenção da presidência do STF de manter a discussão sobre ética judicial no centro da agenda institucional, ao lado de outros processos previstos para os próximos meses que envolvem transparência, remuneração e limites da atuação judicial.

Leia mais

Medida protetiva vigora por prazo indeterminado enquanto persistir risco à mulher, reitera STJ

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve, em um caso do Amazonas, medidas protetivas de urgência impostas em favor de uma mulher e reiterou...

STJ derruba entendimento do TJAM sobre flexibilização da intimação pessoal na cobrança de astreintes

Corte considerou que regra da Súmula 410 não pode ser flexibilizada nos Juizados Especiais e declarou inexigíveis astreintes cobradas do Bradesco. O Superior Tribunal de...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Ministério da Justiça demite Eduardo Bolsonaro por abandono de cargo

O Ministério da Justiça e Segurança Públicademitiu o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro do cargo de escrivão da Polícia Federal,...

Medida protetiva vigora por prazo indeterminado enquanto persistir risco à mulher, reitera STJ

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve, em um caso do Amazonas, medidas protetivas de urgência impostas em favor...

STJ derruba entendimento do TJAM sobre flexibilização da intimação pessoal na cobrança de astreintes

Corte considerou que regra da Súmula 410 não pode ser flexibilizada nos Juizados Especiais e declarou inexigíveis astreintes cobradas...

Empresa de telecomunicações responde por direitos trabalhistas de brigadistas terceirizados

A Terceira Turma do Tribunal Superior do Trabalho manteve a responsabilidade subsidiária da V.Tal - Rede Neutra de Telecomunicações...