Justiça do Amazonas faz mutirão para revisar execução de medidas de segurança

Justiça do Amazonas faz mutirão para revisar execução de medidas de segurança

Em uma ação integrada realizada pela Vara de Execução Penal e pelo Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo (GMF) por meio do Grupo de Trabalho Interinstitucional (GTI) sobre Saúde Mental e Justiça Criminal, o Poder Judiciário Estadual realizou, na última semana, um mutirão objetivando a revisão de processos de execução das medidas de segurança, dando cumprimento à Resolução nº 487/2023 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que institui a Política Antimanicomial do Poder Judiciário.

Na oportunidade, foram realizadas visitas técnicas à Enfermarias Psiquiátricas (Masculina e Feminina) e ala Psiquiátrica do Centro de Detenção Feminina.

O mutirão teve a participação da magistrada coordenadora do GTI Saúde Mental e Justiça Criminal, juíza Larissa Penna; do juiz da Vara de Execução Penal, Edson Rosas Neto; da representante estadual do Programa Fazendo Justiça (CNJ) Luanna Marley e de equipe multidisciplinar do GMF.

A revisão das execuções das medidas de segurança, conforme cita a Resolução nº 487/2023 do CNJ, é realizada a fim de avaliar a possibilidade de extinção da medida em curso, a progressão para tratamento ambulatorial em meio aberto ou transferência para estabelecimento de saúde adequado. Na ação realizada, em 70% dos casos avaliou-se pelo tratamento em meio aberto.

Além da avaliação individual dos apenados após o procedimento de escuta e apresentação dos relatórios técnicos sobre o estado de saúde das pessoas em medida de segurança, a comitiva dialogou sobre os possíveis encaminhamentos para Rede de Atenção Psicossocial (Raps) e demais políticas públicas.

Para a coordenadora do GTI Saúde Mental e Justiça Criminal, juíza Larissa Penna, o mutirão teve saldo positivo. “Com esta atividade, pudemos fazer valer uma parte da Resolução nº 487 do CNJ, que nos impõe a revisão individual de cada interno da enfermaria psiquiátrica, possibilitando um entendimento sobre a situação do processo, do seu estado de saúde, de sua rede de apoio e, também, a capacidade de desinternação ou progressão da medida de segurança para meio aberto. A desinternação não é apenas uma ação simbólica, mas sim a busca por realizar uma transformação social efetiva”, afirmou a magistrada.

O mutirão também viabilizou a consulta de todos os processos de pessoas internadas provisoriamente visando ao encaminhamento de casos para a autoridade judicial competente para avaliação acerca da adequação da prisão processual em vigor ante a necessidade de atenção à saúde, para início ou continuidade de tratamento em serviços da Raps, orientando para que sejam ouvidos a equipe multidisciplinar, o Ministério Público e a defesa, conforme estabelece o inciso III, art. 9º da Resolução CNJ 487.

O Poder Judiciário do Amazonas, através do GTI de Saúde Mental e Justiça Criminal, tem voltado suas ações para a implementação da Política Antimanicomial, com atenção à legislação brasileira, como a Constituição Federal, a Lei 10.216/2001 e à Convenção sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência (2006), pela qual o Estado brasileiro comprometeu-se a promover o pleno exercício de todos os direitos humanos e liberdades fundamentais das pessoas com deficiência, sem qualquer tipo de discriminação.

Realizado na última semana, o mutirão contou com a parceria e colaboração da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (SEAP), através da Coordenação de Saúde Prisional, da direção e equipe de saúde da Enfermaria Psiquiátrica e do Centro de Detenção Feminina (CDF).

Com informações do TJAM

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