Venda de unidade por valor alto autoriza revisão do plano de recuperação judicial

Venda de unidade por valor alto autoriza revisão do plano de recuperação judicial

A alienação de unidade produtiva isolada (UPI) em valor bem acima do mínimo previsto no plano de recuperação judicial autoriza, excepcionalmente, a convocação de uma nova assembleia-geral de credores, para que seja demonstrada a nova situação econômica da empresa, com a alteração da proposta de pagamento dos créditos.

Com esse entendimento, a 3ª Turma do Superior Tribunal de Justiça deu provimento ao recurso especial de um banco para autorizar a revisão da proposta de pagamento aos credores da empresa responsável por editar o popular jornal esportivo Lance.

O plano de recuperação judicial aprovado pelos credores instituiu deságio de 75% do crédito para a classe de credores quirografários — aqueles que não têm direito real de garantia e, assim, seriam pagos a partir do rateio obtido a partir das medidas efetivadas no plano.

Uma das formas de levantar dinheiro para pagar essa dívida é a venda das chamadas unidades produtivas isoladas. Elas representam uma parte do negócio da devedora que pode ser alienada sem ameaçar a preservação das atividades econômicas da mesma.

Com isso, a devedora Areté Editoral colocou a venda toda a área digital do jornal Lance. O valor mínimo de negociação previsto foi de R$ 4,5 milhões. Após leilão, a venda foi concretizada por R$ 25 milhões, quase seis vezes o montante inicialmente previsto.

Para os credores da empresa, isso altera drasticamente a capacidade de pagamento da devedora, o que permite que o plano de recuperação judicial seja revisto, de modo a estabelecer melhores condições.

O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro negou o pedido, por entender que a convocação de uma nova assembleia de credores só pode ser feita por fatos imprevisíveis cujas consequências coloquem e risco a execução do plano de recuperação judicial, o que não é o caso.

Segundo o TJ-RJ, a venda de UPI por valor superior ao mínimo previsto poderia ser prevista pelos credores, inclusive com a possibilidade de incluir esse fator como uma hipótese de revisão, o que não aconteceu.

Ao STJ, um banco credor apontou que a empresa em recuperação fraudou seus credores ao prever valor muito baixo para venda da UPI e destacou que impedir a revisão das condições de pagamento levaria ao enriquecimento sem causa da mesma.

Relator, o ministro Ricardo Villas Bôas Cueva deu razão aos credores. Para ele, a alienação da UPI em valor quase seis vezes superior ao mínimo previsto é condição excepcional que permite a convocação da assembleia de credores, para que se demonstre a nova situação econômica da empresa.

“Os princípios da transparência e boa fé que incidem em processos de insolvência devem possibilitar que os credores conheçam a real situação econômica da devedora, de modo a constatarem prejuízos que estão sendo impostos são somente os indispensáveis para soerguimento da empresa em recuperação”, afirmou. A votação foi unânime.

REsp 2.071.143

Com informações do Conjur

Leia mais

Taxa quatro vezes acima da média do Bacen leva banco a devolver valores cobrados a maior no Amazonas

A cobrança de juros mensais mais de quatro vezes superiores à taxa média praticada no mercado financeiro levou a Justiça do Amazonas a reconhecer...

Débitos inscritos por cessão de crédito sem notificação formal do devedor são inexigíveis

Débitos inscritos em órgãos de proteção ao crédito, quando decorrentes de cessão, pressupõem notificação formal do devedor, sob pena de ineficácia da cobrança. Sentença da...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Comissão aprova campanha nacional sobre doença falciforme

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei...

Comissão aprova documento com QR Code para identificar deficiências ocultas

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou projeto de lei que...

Ministério Público denuncia Marcinho VP, a mulher e o filho Oruam

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ)denunciou à Justiça o traficante Márcio Santos Nepumuceno, o Marcinho VP, sua...

Bolsa de valores não é responsável por extravio de títulos de investidor

A 22ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo manteve sentença da 35ª Vara Cível...