Réu é solto após STJ anular processo de Júri por afronta ao Defensor Natural

Réu é solto após STJ anular processo de Júri por afronta ao Defensor Natural

No caso a Defensoria Pública foi intimada para atuar na defesa do réu  no mesmo dia da sessão do Júri. O pouco tempo concedido e a nomeação de advogado dativo violaram a lei

A ministra Daniela Teixeira, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), anulou um júri em que a Defensoria Pública do Paraná foi chamada no dia da sessão para representar um réu acusado de homicídio.

A Defensoria solicitou um prazo de dez dias para preparar a defesa técnica, conforme o Estatuto da Advocacia, mas o pedido foi negado, e um advogado dativo foi nomeado. O réu foi condenado a 18 anos e nove meses de prisão.

A advogada constituída pelo réu havia recusado o caso no dia do julgamento, alegando compromisso, o que levou à convocação da Defensoria. Esta argumentou que a causídica nomeada anteriormente deveria permanecer nos autos por um mínimo de dez dias.

O Tribunal de Justiça do Paraná negou o pedido da Defensoria para anular o júri, levando à interposição de agravo em recurso especial no STJ.

A ministra Daniela Teixeira reconheceu o cerceamento do direito de defesa devido à falta de tempo adequado para preparação, além de advogado dativo nomeado com irregularidade, ante afronta ao princípio do Defensor Natural. Ela destacou a violação do Código de Processo Penal e dos princípios de defesa plena, contraditório e devido processo legal.

O júri foi anulado e determinado o alvará de soltura do réu, reforçando a importância da Defensoria Pública na orientação jurídica e defesa dos direitos individuais e coletivos.

“Conheço do agravo para dar provimento ao recurso especial, declarando a nulidade da Sessão de Julgamento que resultou na condenação do recorrente, para que outra seja realizada com a garantia da plenitude de defesa” , dispôs a Ministra Daniela Teixiera, detemrinando que o réu responda ao processo em liberdade. 

AREsp 2.551.489

 

 

 

Leia mais

Morte de paciente que pediu medicamento na Justiça não afasta honorários devidos pelo Estado

Ministra Maria Thereza de Assis Moura manteve condenação do Amazonas ao pagamento de R$ 5 mil à Defensoria Pública após reconhecer impedimento processual ao...

STJ mantém anulação de condenação definitiva por tráfico após entrada policial sem mandado

Quinta Turma, com voto do Ministro Joel Ilan Paciornik, do STJ, considerou ilegal a apreensão de drogas em residência após denúncia anônima, revista pessoal...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

AGU busca recuperar R$ 190 milhões de integrantes do PCC e do CV

A Advocacia-Geral da União (AGU) ajuizou quatro ações civis, nesta terça-feira (20), para recuperar bens, no valor de R$...

Saiba como consultar o seu local de votação

Quem vai votar neste segundo turno das eleições precisa ficar atento às mudanças em locais de votação. Segundo dados...

Justiça condena clínica veterinária por morte de cão durante banho

O 1º Juizado Especial Cível de Águas Claras (DF) condenou uma clínica veterinária a indenizar os tutores de um...

Eleições 2026: nenhum eleitor pode ser preso a partir desta terça

A partir desta terça-feira (20), cinco dias antes do segundo turno das eleições, nenhum eleitor pode ser preso ou...