Encontro discute atuação do Judiciário no combate à violência contra mulheres

Encontro discute atuação do Judiciário no combate à violência contra mulheres

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) realizou, na quarta-feira (29/11), o evento Sinal Vermelho – Violência Doméstica e Familiar contra as Mulheres: o papel dos tribunais. Organizado pela Ouvidoria do tribunal e pelo Centro de Formação e Gestão Judiciária (Cefor), o encontro teve o objetivo de ampliar a consciência sobre os direitos femininos, passo crucial na promoção da cidadania e na redução das disparidades de gênero.

Na abertura do evento, a ministra Regina Helena Costa afirmou que “a violência doméstica e familiar contra as mulheres é um assunto que deve estar presente em um maior número de debates, na busca de minimizar o problema”. Também esteve presente na abertura o ministro Herman Benjamin.

Estratégia nacional contra a violência de gênero

Uma das participantes do debate, Renata Gil, juíza auxiliar da Corregedoria do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), disse que a violência contra a mulher é questão de segurança pública que precisa ser enfrentada com uma estratégia nacional, de modo que o governo federal assuma essa responsabilidade em conjunto com a sociedade.

“Embora eu enxergue um quadro preocupante quanto ao número de mulheres vítimas de violência, vejo uma luz brilhante: um tribunal superior adotou a política de combate a esse problema. Acredito que, com a integração da sociedade e o poder público, poderemos combater esse mal”, declarou.

A juíza Adriana Alves dos Santos Cruz, secretária-geral do CNJ, apresentou dados levantados pelo órgão a respeito de crimes contra mulheres e falou sobre programas para orientação da magistratura quanto a esse tema, com destaque para o Protocolo para Julgamento com Perspectiva de Gênero, cuja adoção pelo Poder Judiciário foi objeto da Recomendação CNJ n.128/2022. “Convido todos a lerem e incorporarem o protocolo. Que se apropriem dessa ferramenta para poder enxergar a justiça com uma visão mais empática”, conclamou a juíza.

A ativista, modelo e atriz Luiza Brunet relatou sua luta contra a violência doméstica. Ao relembrar o dia em que procurou o Ministério Público de São Paulo para relatar agressões de que foi vítima, comentou a importância do acolhimento oferecido pela instituição: “Eu fiquei com muito medo na ocasião, por achar que poderia ser presa, pois pensei que eu tinha dado algum motivo para justificar o crime que ocorreu. Ao desmistificar isso, eu apelo a todas as mulheres que busquem por justiça caso sofram algum tipo de violência”.

O desafio do homem justo

O ministro Rogerio Schietti Cruz, ouvidor do STJ, comentou que o direito foi criado e é exercido por homens, e que o protagonismo feminino nessa área é um fenômeno recente. Ao encerrar o evento, ele se dirigiu ao público masculino, citando um trecho do livro Homens Justos, do historiador francês Ivan Jablonka:

“O caminho a percorrer contra o patriarcado é longo. Não será abolido por decreto ou manifestação. Somente será combatido quando deslegitimado, quando feito por todos nós, homens, ainda que tenhamos sido responsáveis por isso. Defender a justiça de gênero na posição de homem é lutar contra si mesmo, se desfazendo da ideologia de gênero que o forjou. O homem justo representa um dos grandes desafios do amanhã.”

Com informações do CNJ

Leia mais

MPAM aciona Justiça contra aterro em Manaus e mobiliza Promotorias para enfrentar queimadas

Com Manaus registrando a pior qualidade do ar do país pelo segundo dia consecutivo, Ministério Público pede suspensão de atividades no Distrito Industrial e...

Dificuldade financeira, por si só, não afasta prisão civil por dívida alimentar

Ministra Nancy Andrighi ressalta que a necessidade alimentar de crianças e adolescentes é presumida e que alegações de incapacidade econômica exigem comprovação efetiva para...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

MPAM aciona Justiça contra aterro em Manaus e mobiliza Promotorias para enfrentar queimadas

Com Manaus registrando a pior qualidade do ar do país pelo segundo dia consecutivo, Ministério Público pede suspensão de...

Erro de percepção sobre a idade da vítima de estupro de vulnerável será examinado pelo STF

O desconhecimento da idade real da vítima, quando alegado por acusado de estupro de vulnerável, pode justificar uma absolvição...

Eduardo Bolsonaro consta em lista de pena pendente de cumprimento

Com mandado de prisão aberto, o deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL)  consta no Banco Nacional de Medidas Penais e...

Justiça determina correção de cadastro de mulher transexual após erro em registro hospitalar

A 6ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça de São Paulo manteve, em parte, decisão da 1ª...