Toffoli anula uso de provas da Odebrecht em ação contra procurador no RJ

Toffoli anula uso de provas da Odebrecht em ação contra procurador no RJ

Considerando que as acusações foram baseadas em provas obtidas em sistema da Odebrecht — e essas declaradas nulas —  o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, julgou imprestável o referido conjunto probatório no processo penal que corre contra um procurador estadual.

Toffoli atendeu a um pedido da defesa de Renan Saad, procurador do estado do Rio de Janeiro e sócio em um escritório de advocacia, que requisitava extensão da decisão de Ricardo Lewandowski que considerou nulas as provas obtidas a partir do sistema Drousys, que vieram à tona após acordo de leniência fechado pela Odebrecht.

Em 2021, Lewandowski decidiu que a Justiça Federal não poderia mais usar dados do acordo de colaboração da Odebrecht contra Lula no processo penal sobre o Instituto Lula. As acusações contrárias ao petista na “lava jato” se baseavam tanto no acordo quanto em cópias dos sistemas MyWebDay e Drousys, do chamado “Setor de Operações Estruturadas” da Odebrecht.

A delação de Odebrecht foi usada nos processos contra Lula por iniciativa do ex-juiz Sergio Moro e dos procuradores de Curitiba, o que levou o ministro a desconsiderá-la como prova. Quanto aos sistemas da construtora, há evidências de que as cópias dos dados foram adulteradas.

A decisão de Lewandowski de considerar as provas imprestáveis foi posteriormente confirmada pela 2ª Turma do STF. Desde então, vários outros réus em processos que foram abertos com base na análise desses sistemas têm pedido e conseguido o trancamento de ações penais com base no uso dessas provas em seus próprios casos.

Dias Toffoli assumiu a relatoria da reclamação após a aposentadoria de Lewandowski. Nessa decisão, que é sua primeira no processo, o ministro considerou que os elementos probatórios usados na ação penal contra Renan Saad coincidem, “ao menos em parte”, com os que foram declarados imprestáveis pela 2ª Turma.

Ele ressaltou que o sistema Drousys foi citado várias vezes pela peça que deu origem ao processo, inclusive como base para a principal acusação contra ele, de ter mediado pagamento de propina na construção da linha 4 do metrô.

Segundo Toffoli, uma vez que as provas são nulas, não podem subsidiar a acusação contra o réu. Por isso, concedeu Habeas Corpus de ofício para declarar a imprestabilidade dos elementos de prova obtidos a partir do sistema Drousys na ação penal que tramita contra Saad na 7ª Vara Federal Criminal da Seção Judiciária do Rio de Janeiro.

Leia a decisão

Rcl 43.007

Com informações do Conjur

Leia mais

Sem apreensão da droga conversas sobre tráfico e movimentações milionárias não bastam para condenar

Entre os elementos reunidos na investigação estavam conversas extraídas de aparelhos celulares que faziam referência ao envio de dinheiro para Manaus por meio de...

Servidor que atingiu idade mínima prevista em regra de transição tem direito à aposentadoria integral

Servidor público que alcançou a idade mínima e os demais requisitos previstos em regra de transição antes da Reforma da Previdência mantém o direito...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Justiça do DF mantém condenação por perseguição e invasão de domicílio

A 1ª Turma Criminal do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) manteve condenação de mulher...

Inadimplemento de promessa de compra e venda impede reconhecimento de usucapião

A 3ª Turma Cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) manteve a reintegração de...

Lava a jato deve indenizar cliente por danos em veículo

A 2ª Turma Recursal dos Juizados Especiais do Distrito Federal manteve a condenação de um estabelecimento de lava a...

Justiça mantém multa por uso de jurisprudência fictícia gerada com o auxílio de IA

O Grupo de Câmaras de Direito Civil do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) manteve a condenação de...