Sem fundada suspeita, abordagem pessoal e invasão de domicílio violam a lei

Sem fundada suspeita, abordagem pessoal e invasão de domicílio violam a lei

A ausência de fundada suspeita para a abordagem pessoal por agente policial gera anulação das provas produzidas, inclusive as coletadas em posterior invasão do domicílio do abordado. Com essa fundamentação, a 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Ceará (TJ-CE) acolheu o recurso de dois homens presos por tráfico para anular as provas do processo.

Consta nos autos que os dois homens foram abordados por “atitude suspeita” em dezembro de 2019. Os policiais, então, encontraram com eles três envelopes com cocaína. Fato contínuo, foram à residência de um dos suspeitos, que teria admitido ter mais substâncias ilícitas em sua casa. Lá, os agentes encontraram mais envelopes com drogas.

Para o desembargador Benedito Helder Afonso Ibiapina, relator do caso, não havia fundada suspeita para a abordagem dos policiais aos dois homens, posto que, em sede judicial para fins processuais, os agentes não souberam informar de modo convincente o motivo da referida abordagem.

Em depoimento, eles afirmaram que os dois estavam com “atitude suspeita”, mas disseram que era “complicado de explicar” o que seria essa atitude.

“De fato, resta claro e evidente que não havia fundada suspeita para que fosse feita a abordagem ao réu e nem à pessoa que estava junto com ele naquela oportunidade, sendo aludida abordagem ilícita e, via de consequência, também ilícitas as demais provas obtidas a partir desta abordagem, haja vista o evidente nexo de causalidade entre uma e outra”, escreveu o julgador.

Ele ainda citou uma série de precedentes do Superior Tribunal de Justiça que têm estabelecido, em casos semelhantes, que a mera demonstração de nervosismo não justifica abordagem policial, muito menos a invasão de domicílio.

“Nervosismo ao avistar os policiais não traz contexto fático que justifique a dispensa de investigações prévias ou do mandado judicial para a entrada dos agentes públicos na residência, acarretando a nulidade da diligência policial”, sustentou o magistrado.

Ibiapina afirmou ainda que, por causa da Teoria dos Frutos da Árvore Envenenada, as provas estão contaminadas pela atuação ilícita dos policiais.

“De mais a mais, mesmo que a abordagem policial fosse considerada lícita, não existem nos autos elementos suficientes para se chegar à conclusão de que o réu estaria traficando drogas em sua residência, pois não havia denúncias anônimas que indicassem que o réu seria traficante ou que em sua casa estaria ocorrendo venda de drogas, sendo mais plausível a versão apresentada pelo réu em juízo no sentido de que referida droga se destinava unicamente a seu consumo.”

Processo 0010005-41.2020.8.06.0098

Com informações do Conjur

Leia mais

Sem prova da experiência exigida, candidato não reverte eliminação em processo seletivo

Ainda que exista risco de prejuízo imediato, a Justiça não concede liminar quando não há indícios claros de que o direito alegado é plausível....

Exigência legal de seguro mínimo em financiamento habitacional não caracteriza venda casada

Segundo a decisão, a obrigatoriedade legal descaracteriza a alegação de venda casada, pois não se trata de imposição unilateral da instituição financeira, mas de...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Sem prova da experiência exigida, candidato não reverte eliminação em processo seletivo

Ainda que exista risco de prejuízo imediato, a Justiça não concede liminar quando não há indícios claros de que...

Justiça Federal é competente para julgar ação contra regras de igualdade salarial

O Superior Tribunal de Justiça definiu que compete à Justiça Federal julgar mandado de segurança que questiona normas sobre...

Multa por descumprimento de obrigação exige intimação pessoal do devedor

O Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento de que a cobrança de multa pelo descumprimento de obrigação de fazer...

Planos de saúde não podem limitar sessões de terapia para autismo, fixa STJ

O Superior Tribunal de Justiça definiu que é abusiva a limitação do número de sessões de terapias multidisciplinares —...